domingo, 14 de abril de 2013

Novas Vidas

Fazia um bom tempo que eu não tinha muito tempo ou espaço conversar com a minha prima.
Ela acaba de virar mãe e eu acabo de voltar pra casa. Duas viradas.
Ontem tivemos uma chance de botar o papo em dia. O momento e o sentimento de cada uma certamente foi compartilhado, mas o papo foi diferente. Me senti pequena. Ela ali pra descobrir porquê o menino chorar, trocar a fralda, dar de mamar toda hora e eu aqui querendo falar da minha jornada de auto-conhecimento.
Que drama, que falta de rumo, que..ego.

Mais tarde, vimos as fotos do parto dela: um parto domiciliar abençoado que me trouxe lágrimas aos olhos. 
Me fez pensar que daqui uns 24 anos é ele que vai estar aqui, na minha idade, assistindo essas imagens lindas de uma vida começando.
Senti novamente a pequenez, mas com uma grandeza temporal. 
Nunca havia me visualizado 24 anos daqui; eu mesma, com uns 48 anos na cara. Mas agora com aquela criança por perto, pronta pra crescer e envelhecer... eu vi. Vi ele, vi meu rosto, vi minha família, vi a felicidade. Vi como a vida toma rumos que nem a gente espera ou planeja. Pode mudar em 1 ano ou 1 minuto. 
E se em 9 meses a vida da minha prima já mudou totalmente, o que 3, 4 ou 5 anos não poderiam trazer de novo pra mim?
Todos meus problemas são grandes aos meus aprendizados no momento, mas muito pequenos em relação a tudo que eu vou conquistar e construir na minha vida. Tudo vai passar. Tudo vai transformar. Crescer, formar, repassar.
E eu ainda vou estar aqui.
Viva. Sorrindo. 
Muito grata.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Musicando

Tem uma música que toca em mim.
Não sei o nome, não sei daonde
Mas tem o ritmo dos meus sonhos.
Não sei qual é o tom
Mas tem energia da minha alma
E o refrão do meu coração.
Não sei decifrar seus acordes
Mas suas notas ecoam em mim 
pedindo para serem ouvidas.
Vou deixar transparecer.
Vou soltar.
Entregar pro mundo.
E deixar a melodia me levar.

domingo, 31 de março de 2013

A Cruz

Pessoalmente, o ambiente silencioso de uma igreja faz bem para ir ao encontro de mim mesma. Mas não consigo evitar me sentir meio triste ou até culpada ao olhar pra imagem de Jesus na cruz. Ele sangrando com as mãos e pés pregados, e eu aqui reclamando das coisas que não são do jeito que eu gostaria.
Daí que fiquei me perguntando por quê morrer na cruz... por quê raios dizem que ele fez isso por mim. Eu não queria ver nem ele nem qualquer outra pessoa passando por isso. E ainda mais morrendo com uma mensagem tão bonita a ser repassada.

Mas será que eu (assim como todos os seres humanos que nasceram em 2013 anos) valorizaria tanto essa mensagem de amor ao próximo sem uma morte dessa maneira? Sim, é triste, mas vai ver a mensagem dele precisava ser marcada com sangue para que fosse marcada de verdade na alma da humanidade.
Da cruz dele, agora percebo a minha cruz. Vai ver eu também preciso passar por ela, e sofrer, e chorar, e birrar, pra que uma mensagem maior do que a minha compreensão atual seja gravada em mim. 
As coisas não podem ser sempre do meu jeito; graças a Deus. As coisas devem ser do jeito que precisam ser. Do jeito que eu preciso. Do jeito que só Ele sabe o quê é necessário para eu conseguir conquistar o melhor de mim.
Que nem Ele sabia pra esse grande cara aí na cruz.

domingo, 24 de março de 2013

Chimarrão Paulista

Como bom gaúcho, de sangue ou de coração, chimarrão normalmente é sinônimo de uma boa conversa e uma bela roda de amigos.
Já aqui em São Paulo, sem a tradição, chimarrão pra mim tem sido bem combinado com momentos tranquilos de solidão e introspecção. Erva-mate e água quente amansam meus pensamentos que só então se permitem condensar em palavras, como nesse exato instante.
Mas ao levar esse instante para além do meu quarto...
Qualquer bom paulista tem motivos pra achar no mínimo diferente alguém caminhando e tomando algo de "canudinho", abraçado numa garrafa térmica. E só através desses olhares curiosos que percebi que o chimarrão me lembra do próprio Rio Grande do Sul em mim.
Que olhem, que estranhem. Isso faz parte de mim. Sou paulista, paulistana, falo "meu" e falo "brigadeiro". Mas também falo "bah", falo em tom cantado e tomo chimarrão.
Com o barulhinho da água acabando na cuia, reafirmo que 6 anos na linda Porto Alegre não foram em branco: esses anos estão marcados em mim, e encho a minha cuia em honra a eles.
Servidos?

terça-feira, 19 de março de 2013

De Vô para Neta

- Que legal essas fotos tuas pescando no Pantanal, vô.
- Ah, essa turminha era demais mesmo. 1986.
- Um monte de peixe e também um monte de homem, né! Só os cuecas.
- Mas claro, mulher não pisava o pé lá. A gente que carregava!

terça-feira, 12 de março de 2013

O Muro

E essa proteção que a gente cria...
É auto-preservação? Auto-conhecimento?
Ou medo de se envolver de verdade?

segunda-feira, 4 de março de 2013

Inesgotável

Sendo amigo de longa data ou recém-conhecido, uma hora ou outra sempre acabam me perguntando "daonde raios tu tira tanta energia?".
Entre pulinhos e gestos exagerados típicos da minha expressão, deixo a resposta no ar.

Acho que essa energia vem de um fonte pessoal e infinita dentro de mim. É uma fonte que se alimenta da consciência de que cada momento é único. Dessa consciência, vem uma ânsia que, intensa como um choque, exige que cada momento tenha uma marca, sem deixar passar nada em branco. 
Cada segundo não vai ser repetir. Então pra quê deixar minha energia se esvair e deixar o momento escapar junto com ela?
Só me resta canalizar tanta energia.
Pular? Dançar? Conversar até perder a fala? Ficar parada num canto fazendo caça-palavra?  Que seja. É o meu momento único.
Como vou querer me lembrar dele?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

The Thing

So here's the thing...
You're fed up with love. You can't stand the feeling of getting calls all day, daily reports or jealosy scenes. All the falling-in-love package makes you sick.
Still, something inside you urges for caring and attention.
So...what's the point? 

"Sit and wait, darling. It all shall pass", says the voice.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cidade Baixa e Livre

Logo após o término do meu primeiro e longo namoro, tive que reaprender a fazer umas dez mil coisas sozinha. Entre elas, atravessar a rua. Confiando no meu par, nem me dava ao trabalho de olhar para os lados.
Então sozinha, aprendi novamente a olhar para os lados. E descobri um mundo incrível à minha volta.

Lembro que um dos meus primeiros passeios sozinha foi a um bar na cidade baixa de Porto Alegre. A sensação de andar sozinha naquela rua foi única. Todos os bares, pessoas, cheiros e gostos cercavam minha caminhada, que era minha. Eu finalmente era dona de mim. Poderia estar com alguém, poderia estar em outro lugar, mas estava ali, dando aqueles passos na companhia doce e eterna de mim mesma. Eu tinha sentido falta dela. Como uma mãe que reencontra o filho recém-nascido, o poder da escolha tinha sido devolvido aos meus braços.

O que eu senti e entendi naquele momento é que o único comprometimento que você tem no mundo é o de se fazer verdadeiramente feliz. Mas essa sensação de liberdade não era e nem é de libertinagem. É a consciência do seu eu mais profundo.
Pois com essa felicidade, aí sim, o seu mundo e consequentemente o mundo que te cerca fica mais completo. E melhor, sempre.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Final Feliz

Sempre fui uma fã de se's. Brincava de barbie criando as histórias mais mirabolantes. Escrevia no meu diário pensando que poderia ser um livro.
Dá pra imaginar, então, que minha imaginação sempre foi fértil, mais especificamente para histórias de amor. 
Ah, como eu adorava. E adoro!
É previsível e clichê, mas não resisto a ver o mocinho ou mocinha jogando tudo pro alto, no último minuto, pra reconquistar aquele amor e viver feliz para sempre. Tão lindo.
Por isso que é duro cair na real. Não é só perceber que essas reviravoltas, mal e bem entendidos não existem na vida real. É parar de desejar isso mesmo que secretamente, no fundinho do meu coração, no escurinho do meu travesseiro.
Quero desejar algo tão real que nem um filme poderia retratar fielmente. Tão verdadeiro que nem uma saga de dez livros poderia narrar com detalhes suficientes.
Quero um amor tão puro que apenas o coração entende.
Quero minha história de amor, mas feita de fatos reais.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Last Looks

Sensação engraçada essa de saber que aquela é a última vez que você vai olhar para aquela pessoa ou aquele lugar.
Uma gratidão imensa me invade os ossos, enquanto o sangue pulsa saudade.
Seja da maneira que for...vai ser.
Adeus. Sem olhar pra trás.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Gratidão

Ontem aconteceu de novo. Estava na pista de dança e era a nossa música. Mas, ao contrário de todas as outras vezes, sorri. 
Eu não estaria ali dançando e me divertindo com ótimos novos amigos se não fosse por aquela música. Se não fosse pelo que você me ofereceu, eu nunca estaria aberta o bastante para receber essa felicidade no meu coração. 
Eu nunca saberia ser feliz desse jeito sem a sorte e a lição de viver um grande amor. 
E sou grata, muito grata por isso.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Papo de Gente Grande


Lá pelos meus 7 ou 8 anos, eu adorava brincar de ser mocinha. Botava o cabelo pro lado e chamava de penteado. Sentava com as pernas cruzadas e me sentia educada. Sorria e empinava o nariz toda hora e chamava de independência. Fingia que falava no telefone pra achar que todos os meus namorados precisavam de mim.
Daí lá pelos meus 15 ou 16 anos, eu adorava brincar de rebelde. Botava o cinto de rebite, ouvia músicas que ninguém entendia de tão barulhentas e me recusava a me divertir em reuniões de família. Um namorado ou outro, mas que não se encaixassem em nada do que queriam pra mim.
De lá pra cá, acho que passei de um extremo ao outro justamente porque meu comportamento e personalidade mudaram, mas não a crença. No fundo, eu sempre achei que tudo fosse ficar naturalmente bem. Rebelde ou mocinha, eu chegaria aos meus 20 e poucos com um relacionamento estável, bem formada, com uma carreira linda pela frente, com filhos, viagens...naturalmente feliz, como deve ser.

Mas agora de verdade nos meus 20 e poucos anos... o que é natural mesmo? 
Não sou mocinha. Não sou rebelde. Não tenho um relacionamento estável. Bem formada, mas nem ideia da carreira à minha frente. Filhos bem mais tarde, obrigada. Algumas viagens por vir, se Deus quiser. 
"Que burra", diriam as minhas antigas Grazis. Eu fui contra a ordem das coisas. Minhas escolhas, as que eu achei que me levariam a o quê eu considerava natural, só me levaram ao outro lado do labirinto. O que antes pareciam escolhas pensadas e calculadas, agora mais parecem um jogo de sorte ou azar, par ou ímpar, tentativa e erro. Não há nenhuma garantia de que um caminho seja melhor ou mais rápido que qualquer outro.

Por outro lado, acho que nem eu mesma acreditava que teria estrelas tão brilhantes para me guiar nesse caminho labiríntico. Sei que elas vão me nortear, sei que elas não vão deixar de brilhar não importa onde eu esteja. Sei que há uma luz maior iluminando-as pra mim. Sei que não estou sozinha.
Obrigada à minha família, meus amigos e a Deus, por me mostrarem que não há felicidade mais natural no mundo do que a de tê-los ao meu lado.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carta ao Coração

É fácil perder a cabeça. Difícil é manter todos os membros em seu devido lugar, e não ser todo ouvidos ao coração.
Tá na hora do coração ouvir.

Você, querido coração, precisa sossegar.
Sei que você está acostumado a bater descontroladamente por alguém, mas não dá pra ser assim toda hora. Para bater de verdade por outra pessoa, você precisa entender algumas coisas que ainda não entendeu.
Precisa entender que muitas outras pessoas e coisas e lugares podem te disparar. E não é porque você está em disparada que tem que mandar a razão pra aquele lugar. Não, ela não quer te limitar ou te impedir de viver. A razão só não quer que você queira crescer sozinho, até porque isso é impossível. A queda será sempre inevitável. Ela sabe que só juntos vocês vão evoluir. 
No desespero de viver todo dia como se fosse o último, você deixa de ver que sua grande parceria está bem ao seu lado. Vocês podem mais juntos. Podem realizar tudo que você sempre sonhou. Podem ir além do que os dois sozinhos imaginariam.

Mas é preciso que não sejas egoísta. É preciso paciência. É preciso calma. 
É dar um passo para trás para finalmente poder dar milhares para frente.
Não tenha medo.
A razão não vai te boicotar.
Ela te ama tanto quanto eu.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Crônica de voo

Aeroportos já são lugar comum pra mim. Freqüento esses saguões há 6 anos, desde que me mudei pra Porto Alegre. Esperei meses para estar aqui esperando esse avião. Não é fácil ficar longe da família, principalmente quando meu mundo parecia desmoronar perante meus olhos. Mas sobrevivi para estar aqui vendo esse céu azul pela janela. Que alívio.
"Atenção senhores passageiros do voo 3567 com destino a São Paulo Congonhas..."
Engraçado ver essas pessoas na fila ansiosas por embarcar  mesmo com assento reservado. Mas pra quem já esperou dias que pareciam semanas, alguns minutos não vão matar ninguém. Me permito observar um pouco mais o azul envidraçado.

Logo estamos decolando. Tudo parece tão minúsculo daqui de cima. Ou lá de longe. É tudo uma questão de ponto de vista. E Deus sabe o quanto meu ponto de vista mudou nos últimos anos. Mas tanta vista me cansa os olhos e não demoro a pegar no sono. Nuvens enormes preenchem a paisagem do meu sonho. Nuvens vermelhas escarlate, vibrantes, mas que repentinamente adquirem uma cor turva, cor de nada, mas que me lembra todos os cemitérios que já visitei. E essas nuvens se movem, lenta e precisamente, como um animal se preparando para o ataque. Mas antes de dar o bote, rostos se formam dizendo frases que não consigo entender. Como uma língua desconhecida, entendo apenas palavras como "desculpe", "não posso", "fica", "vai", "sempre", "nunca"...

"Senhores passageiros, estaremos servindo refrigerante e barras de cereal."
Acordo numa baque assustada, assustando também meu colega de assento. Tudo isso pela barrinha de cereal. E ainda dizem que deveria agradecer por não pagar a mais por isso. 
Abro a janela e me deparo com mais nuvens. Mas essas agora brancas, laranja avermelhadas, se despedindo dos últimos raios de sol. É realmente o fim de um ciclo. Mesmo com todas as tempestades, não posso negar as luzes que Porto Alegre me ofereceu. Sem meus amigos, me trabalho, meus amores, minhas decepções, minhas dores... Não seria metade da mulher de que me orgulho ser. O lanche até que me cai bem.

Perdida em minhas lembranças, me surpreendo quando a comissária anuncia: "senhores passageiros, sejam bem-vindos a São Paulo". Fico boquiaberta. Sou bem-vinda. Estou em casa. Voltei. Não achei que voltaria assim. Não achei que voltaria sozinha. Mas também não imaginei que voltaria tão forte, tão realizada, tão minha.
É inacreditável perceber as dez mil voltas que a vida dá, mas ainda me deixando de pé. Bem, não literalmente de pé, já que nem minhas pernas acreditam que tá na hora de juntar minhas malas e levantar. É surreal pensar em redescobrir velhos caminhos e ao mesmo tempo procurar por novos que também estão ansiosos para me conhecer.
Chegou a hora. Sem atrasos. Sem escalas.
"Boa noite, boa estada".
Obrigada. De coração.