segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Insônia

Como seria essa noite se você pudesse perceber todos os detalhes à tua volta? 
A gota que cai pela janela, a água que escorre pelo vidro, a chuva que une a cidade toda em uma só. Todas as luzes da cidade que se acendem e se apagam, todos os dias ruins e bons que ainda nem começaram no sono de cada um. Ou na ausência de sono de outros como você que mantém os olhos bem abertos. 
Insones, não vemos começo nem fim em nenhum dia, nem em nada, nem ninguém. Dormindo ou acordados, estamos todos infinitamente interligados numa rede invisível que às vezes nos isola, mas que nunca deixa ninguém pra trás.
Eu não sou você. Não te conheço. Nem sei se conheço a mim mesma. 
Mas sei de algo maior que nos faz olhar nos olhos de um amor, um amigo ou um desconhecido e confiar esse nosso pequeno frágil ser a um abraço. 
De olhos bem fechados.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pensando Alto

Quem me conhece sabe: sou uma matraca.
E já aceitei isso sobre mim mesma. Abracei minha vontade de falar o que penso, de dar voz às minhas loucuras, manifestar meus sentimentos.
Mas ontem tentei um exercício diferente.
Ouvi muito mais meus pensamentos do que de fato os expressei.
No começo me senti estranha, como se não falar tornasse meus pensamentos menos reais ou sinceros. Mas logo senti algo diferente, até engraçado.
Observei tudo que me vinha à cabeça e como isso fazia me sentir. Cada hora uma coisa diferente, às vezes totalmente desconexa. Mas pensei e senti tudo sem pressa, sem querer validar nada, sem me cobrar nada. 
Ri das minhas loucuras passageiras, dos meus padrões, dos detalhes meus que fui descobrindo a cada pensar.
Conclusão? Eu penso de um jeito muito estranho. E diferente do que eu achava que pensava, ou do que os outros achavam que eu penso. Porque tem coisa que, por mais que eu tente, não cabe nas palavras, seja em mandarim, inglês ou português. Mas cabe em mim.
Se é verdade que nossos pensamentos acabam sendo uma das poucas coisas hoje em dia que ainda são privadas, sem foto de instagram ou corrente de facebook ou post de blog capaz de expressar fielmente... vai ver somos os únicos capazes de conhecer a nós mesmos de verdade. 
E nessa nossa cabeça de possibilidades e pensamentos infinitos, melhor ainda fazer isso com tranquilidade, aprendendo com cuidado tudo o quê nós mesmos temos a nos ensinar.
Mas caso alguém quiser se aventurar a tentar...
Oi, meu nome é Grazi. Penso sem medidas e sem nexo, mas sempre comigo mesma.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Amor Vendaval

Sou só eu que sinto que tem gente por aí desesperada pra estar num relacionamento?
Gente, eu sei. Eu sei de toda essa pressão social e interna que a gente se coloca, dizendo que o status "namorando", "casado", "noivo", "implorando pra que ele diga sim" vale mais do que o simples "solteiro". 
Mas vamos pensar bem. E bem na gente mesmo.
Por que outra pessoa tem que validar a minha felicidade própria? Por que estar num relacionamento me passa mais segurança e felicidade do que estar na minha própria companhia?
Não me levem a mal; eu também sinto falta de ter alguém comigo de vez em quando. Bate aquela hora da noite que faz falta ter alguém que não é sua mãe pra contar como foi o dia.
Mas todos meus relacionamentos em que eu depositei a minha felicidade no outro, num status ou numa falsa ideia de segurança, automaticamente minha felicidade se dissipou ou não se concretizou. Porque só a outra pessoa não tem o poder de transformar meu humor toda hora. Porque o status de o quê os outros pensam de mim uma hora dá no saco. E, acima de tudo, porque ninguém tem mais ou menos estabilidade na vida só por estar num relacionamento. 
O amor pode bater à porta quando menos se espera, claro. Mas também pode sair voando pela janela aberta no primeiro ventinho que bater.
Eu defendo sim o amor. Defendo quem se apaixona, defendo quem vive à dois e quem luta por um amor. Mas defendo muito mais quem, mesmo num relacionamento, não se perde de si mesmo, se questiona e busca o melhor que a vida pode oferecer. 
Sem medo de ficar sozinho.
E admiro de verdade quem entende que a felicidade à dois é linda, mas que a felicidade própria quando compartilhada é... sublime. 
Sem escapar pela janela.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Escrito nas Estrelas

Como mulher mulherzinha que sou, também tenho amigas mulherzinhas à minha volta.
Isso quer dizer que a gente pensa. E pensa bastante.
Sentir então... nem se fala. Dez mil sentimentos pra cada pensamento.
E muito, muito "se". Porque a gente quer adivinhar. Quer entender o que o carinha tá pensando, saber o quê a vida ainda não mostrou pra gente, enxergar o futuro que ainda nem aconteceu.
"Vou numa taróloga ótima, você devia ir também!"
Não me entendam mal. Já fui em tarólogo, inclusive esse ano, e já tive essa mania por um tempo. Mas se hoje me sugerem isso de novo...
Obrigada, mas, sinceramente, não.
No quê muda saber como o carinha lá se sente? Eu vou deixar o sentimento dele ditar como eu devo ou não devo agir?
No quê muda eu saber do que não foi mostrado a mim ainda? Será que eu estou pronta pra saber tudo isso?
E pior ainda, no quê muda eu ter uma visão do futuro? Até que ponto essa vontade de ver o futuro não está me impedindo de viver em plenitude o momento presente?
Admito, tem vezes que é tentador. Mas toda e qualquer confusão externa não pode ter o poder de confundir quem realmente somos por dentro. A clareza do que eu desejo, do que eu sou capaz e da maneira com que eu percebo o mundo... ah, isso sim me dita como agir, me mostra o que eu tenho que enxergar e me permite viver de corpo e alma neste exato momento. 
Então que venha o que vier. O quê estiver escrito nas estrelas, será.
Mas enquanto isso, escolho admirar o brilho do meu caminho que essas estrelas iluminam hoje e sempre.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Guia Tinder - Parte 1

Como solteira, tenho percebido que há um certo constrangimento em admitir que você está recorrendo a um aplicativo como o Tinder pra arranjar um relacionamento, seja ele do tipo que você desejar.
Mas a moral é que tá todo mundo lá e todo mundo quer ver quem tá lá.
E o melhor: todo mundo ri, se revolta, se apaixona platonicamente e se inconforma muito nessa brincadeira que é o Tinder.
Então resolvi quebrar o silêncio e a vergonha pra falar das minhas impressões femininas nesses últimos 2 meses no aplicativo.
Devo lembrar que essas são observações baseadas em superficialidades, mas que nem sempre são tão superficiais. Afinal, foi você que escolheu colocar aquelas fotos disponíveis no aplicativo. Sim, você não é de verdade aquelas fotos, mas elas fazem parte do que você quer representar aos olhos dos outros.
Pois bem. Nessa primeira parte, sejam meus olhos.

A SELEÇÃO

O mãozinha: gente, 2014 chegou. Por que você ainda tá fazendo hang loose? E esse joinha com a mão? É pra reafirmar que tá tudo "joinha" pra quem ver a foto? Pra mim só tá afirmando que você não tem noção do que é atraente e interessante pra uma mulher, mas beleza.

O peladinho: meninos, parabéns pelo corpinho malhado. Mas não, vocês não ganham um like por serem gostosos. Vocês perdem uma mulher por serem exibidos e narcizistas.

O selfie-man: é verdade, tem vezes que você tá naquele dia bom do teu cabelo e vale a pena fazer uma sessão de selfies. Mas gente, pra quê ter foto SÓ assim? E por que TEM QUE ser no espelho, com o celular aparecendo e você olhando pra si mesmo na tela do celular? O narcizismo... ah, ele não tem limites.

O turista: espírito viajante com certeza faz parte do que eu procuro num cara. Mas quando todas as suas fotos se resumem a Estátua da Liberdade, Torre Eiffel ou Machu Pichu... O Tinder é teu ou da agência de turismo, amigo?

O piá: criançada, parem de mentir a idade de vocês. Esses fiapos na cara não enganam que vocês tem 25. Vão brincar de Lego.

O comprometido: a descrição diz claramente que o cara é comprometido e "feliz". Ah, jura? Você tá no Tinder, meu filho. Morre por aí.

O crise-dos-30: sou obrigada a pensar que existe algum tabu dos 30 anos, dizendo que cara de 30 é caído e gordo. Porque é justamente o oposto que eu tenho visto. O que mais tem é trintão querendo reafirmar que tá com tudo encima, delicinha gostosão. Parabéns, homem. Você ainda pensa que nem guri.

O olhos-sensíveis: o cara tem 5 fotos disponíveis, 4 delas com óculos escuros. Que truque é esse? Todo mundo fica lindo de óculos escuros, ok. Mas o que tu tá querendo esconder, querido?

O descritivo: alguém aí lê aquelas mega descrições enormes tentando definir a essência complexa do indivíduo em questão? Ou pior, alguém aí acredita em tanto esforço pra se descrever? É só o Tinder, cara. Você vai ser julgado de qualquer maneira, com ou sem descrição.

O papai: como a mulher professora que sou, admito que fotos com crianças são pontos a favor. Mas sempre fica aquela dúvida... Será que são dele? O cara já tem filhos? Foi casado? Ok, melhor ir com calma nesses pontos.

O tudo-a-ver: o cara nem é assim tão atraente, mas vocês tem todas as bandas, seriados e bares em comum no facebook. Destino, só pode. Like.

O sem-rosto: a foto do cara demora mais que 2 minutos pra carregar. Já diria minha mãe, nada é por acaso. Deus não quis que você visse. Nope. Próximo.

O the-one-that-got-away: já faz 2h que você não consegue dormir e tá mandando a centésima quinta foto pra esquerda. Daí aparece aquele boy magia, aquele rostinho que faz teu olho brilhar e crer que ainda existe esperança no mundo. E você, finalmente pegando no maldito sono, manda pra esquerda também. POR QUEEEE TIRAR O AMOR DA MINHA VIDA DE MIM, SENHOR?

A seguir: O PÓS-MATCH. Não percam.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Porto

Passei esses últimos 10 dias revisitando Porto Alegre.
E revi todos meus lugares.
Andei pelo centro da cidade, meus pés já sabendo aonde cada rua daquele labirinto me levaria. Memória involuntária.
Vi as pessoas andando em passos apressados entre as paradas de ônibus da Salgado Filho e me deparei com a minha antiga pressa. Pra quê mesmo?
Parei na frente do meu antigo apartamento, me perguntando se a pessoa que ocupava agora aquele espaço sabia do tanto que foi vivido ali. Vivido demais.
Passeei pela Rua da Praia e me perdi entre tantos segredos que a rua me contava a cada esquina. Coisas que nem eu sabia.
Parei na minha igreja branca e me pus de joelhos na escadaria. Lágrimas no rosto.
"Me perdoa, mãezinha."
"Pelo o quê?"
"Por ter ido embora. Não fui forte o bastante pra ficar."
"Tu nunca nos abandonou, filhinha. E nem nós".
E os lugares não eram mais "aqueles meus lugares". 
Justamente por amá-los tanto, escolhi libertá-los. Eles são tão especiais para mim que não merecem ser lembrados e experienciados simplesmente como lembranças. Eles são vida, força e movimento dentro de mim. Só podem merecer então mais vida, mais história, mais sorrisos.
Limpei os vidros dos meus olhos com sabão anti-memórias e passei novamente por todos esses lugares.
Outra Grazi. Outros lugares. Ainda assim, Porto Alegre.
Ah, Porto Alegre... Eternamente minha.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Tatuagem

"I deep and completely accept, embrace, forgive and love myself."
É essa a mensagem que levo gravada em mim pra sempre.
E a sensação de tatuar isso foi muito parecida com o aprendizado em si. Sensações inesperadas, alguns reflexos e até um pouco de dor deu as caras; mas tudo absolutamente insignificante perto do prazer que esse processo de transformação me proporcionou. Nunca me senti tão próxima de mim mesma, nem tão sintonizada com todas as coisas lindas que me cercam.
Pode ter sido por causa de Nova Iorque. Pode ter sido pelo ano passado inteiro. Ou talvez por todos os meus 24 anos de experiências.
Não importa. O que importa é que hoje vejo o mundo com outros olhos, porque agora também sou capaz de me enxergar de verdade.
Aceitar. Abraçar. Perdoar. Amar.
Primeiro a mim mesma, e então o mundo inteiro.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Lista: Coisas Que Me Deixam Feliz

Vira o ano novo e o clichê se renova: metas e mais metas para o ano seguinte.
Nunca consigo escrever direito essas metas, talvez porque sempre sou muito vaga em cada tópico. Por exemplo, minha meta de 2013: "Ser feliz".
E quem não quer, né? Duh.
Mas os caminhos até alcançar de verdade essa meta nem sempre são tão óbvios assim. E se tem algo que 2013 me ensinou foi que eu sou a única pessoa que pode promover a minha própria felicidade. Ninguém mais tem a obrigação ou sequer a capacidade de fazer isso por mim.
Então, esse ano me inspirei numa lista da talentosíssima Carrie Hope Fletcher, tendo em mente as coisas que me fazem feliz.
Porque a gente adora reclamar.
Uma hora chega a ser prazeroso resmungar daquele dia ruim.
É mais fácil culpar a chuva que não para, o cachorro que mijou no meio da sala, o pesadelo da noite passada... Tudo isso pra justificar a tristeza, a depressão, o mau humor.
Porque nem sempre vai tá tudo bem. Nem sempre a vida vai ser bela desde o teu primeiro segundo acordado.
Mas é contigo ir atrás do que te alegra, do que te faz ser alguém melhor e mais feliz.
É você quem decide tomar aquele café da tarde. São teus olhos que param pra assistir aquele pôr-do-sol. E você que bota teu corpo pra dançar pela casa.
A felicidade tá sempre ao seu alcance. Mas é você quem estica os braços para abraçá-la.
E aí? O que você vai fazer hoje pra te fazer feliz?
Minha meta pra 2014: fazer tudo isso aí com mais frequência. E alongar ainda mais essa lista.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ao Máximo

Quem me conhece ou já leu algo do meu blog sabe que a intensidade é uma parte importante da minha personalidade. E dá pra afirmar que, de certa forma, por muito tempo ela também foi um estilo de vida pra mim. Sempre quis viver e aproveitar ao máximo cada momento da minha vida, totalmente entregue às minhas emoções.
Sou muito grata a todos os momentos intensos que vivi, sejam eles extremamente deprimentes ou incrivelmente felizes. No fim, tudo é lição.
Mas justamente por ter aprendido alguma coisa, hoje parei pra pensar. Cara, minha vida inteira parece ter sido um teste de quantas pessoas, lugares, sentimentos e experiências cabem num coração só. É tanta coisa que me sobrecarrega se fico pensando demais sobre isso, sabe.
Mas respiremos fundo pra continuar. 
Os momentos que fizeram com que eu reconstruísse meus valores e expandisse minhas ideias foram aqueles de equilíbrio. Sóbria, de olhos abertos e sentidos aguçados, foi mais fácil interpretar os sinais que me indicavam o caminho a ser seguido e todas as maravilhas em volta dele. Embriagada das minhas emoções, o coração batia forte, mas deixava a visão turva e e não me permitia ver qualquer coisa que fosse além da dor, da raiva, do amor ou da euforia que eu sentia.
E sentir por sentir... isso já conheço.
A novidade pra mim hoje é o sentir consciente."Aproveitar ao máximo" ganhou um novo significado pra mim. De verdade, o tal "máximo" não acontece no campo dos meus sentimentos, e sim na minha percepção. 
Com consciência desperta, sou capaz de entender a mim mesma e tudo à minha volta com um bem-estar que vai além de qualquer sentimento ou emoção momentânea. É como ter estado cara a cara com Deus a sua vida toda, e só agora você consegue tirar a venda que cobria seus olhos.
E enxergar.
Sou então meu verdadeiro eu.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Coração e o Verbo

Meu coração virou pedra de uns tempos pra cá, é isso?
Não sei dizer...
Ainda choro assistindo Notting Hill pela septuagésima vez.
"I'm just a girl, standing in front of a boy, asking for him to love her."
Adoro ouvir o carinha lindo-tudo-de-bom dizendo meu nome, em qualquer contexto.
"Tudo bem, e com você, Grazi?"
Fico babando nas mãos do Thiago Lacerda segurando o rosto do parzinho dele na novela das seis.
"Ninguém pode nos separar, Célia. Nunca."
Comemoro com palminhas de emoção quando uma amiga se apaixonada. E é correspondida.
"Grazi, calma. Até parece que é você que tá curtindo ele."
Mas... 
Não me derreto mais só porque um cara me trata que nem princesa.
Na verdade, ultimamente prefiro que me trate mais como mulher.
Não me encanto mais por um rostinho bonito. Me pego procurando o que se esconde por trás de cada sorriso.
E não me apaixono mais cegamente. Mantenho olhos bem abertos, quase com medo de piscar e acabar perdendo algum detalhe.

E vai ver tudo bem se sentir assim. 
A gente muda um pilar, uma parede  ou um tijolo de lugar, e toda a construção pode se transformar em algo bem diferente. 
Não tem como aprender a lição a partir de uma experiência sem gerar mudanças. E mudanças que às vezes podem comprometer estruturas de valores que aparentemente não tem nada a ver com isso. 
Mas tudo isso sou eu. Algumas certezas, umas tantas incoerências, várias contrariedades.
Até que a contrariedade se contrarie. E eu aprenda ainda mais. E mude de novo e de novo e de novo.
Sou a cada dia mais verbo e menos substantivo.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Carta ao Encantado

Querido Príncipe Encantado,

É só eu relaxar pensando que estou tranquila de novo, que você vem e coloca um monte de caraminhola na minha cabeça. 
E eu ainda acredito...


Fica dizendo que vai entender as minhas loucuras e me acompanhar nas minhas aventuras.
E que vai me provar que o cara que gosta de ler e dançar comigo realmente existe.
Mas na hora que eu chamo teu nome durante o sono... cadê?
Então você se desculpa, diz que tá demorando mais do que achava. Mas que é tudo só pra me encontrar no final.
E me pede pra esperar tranquila, que já tá a caminho.
Mas quando a festa termina, e só o que sobra é o calo no meu pé e a sujeira pra limpar... cadê?
Daí quando eu viro as costas, decidida a ir embora, você pega minha mão e me derrete: "vai desistir tão fácil assim de mim?".
E se a frustração transborda dos meus olhos cansados de te procurar, você toca aquela música que não me deixa esquecer de como é bom sonhar com você.
Mas quando abro os olhos pra realidade... cadê?

Cansa acreditar em algo que tá sempre inventando desculpa, Encantado.
Então pode tirar o cavalinho da chuva, larga essa pose toda e vire homem.
Porque eu já cansei de engolir sapo.
Eu mereço bem mais do que isso.
E é nisso que eu escolho acreditar agora.

sábado, 7 de dezembro de 2013

"Ogros são como cebolas; nós temos camadas!"

... disse aquele ogro verde e gordo. E dou toda a razão a ele, inclusive em relação a nós humanos que passam longe de qualquer animação de contos de fadas. 
A gente se esconde por trás de muito orgulho, muita pose, muita ostentação. Mas essa fachada uma hora cai, e a gente cai junto. Tudo por causa de besteira, na real. Então levanta, mantém o queixo erguido e sai andando como se nada tivesse acontecido, certo?



Mas quando bate a crise de ansiedade ou aquela sensação de que você é a última bolacha do pacote, fica difícil ignorar nossas inquietudes, medos e dúvidas. Mas ainda é tudo besteira, certo? Não merece atenção. Então deixa eu me empanturrar de chocolate, beber até cair, perder meus sentidos e esquecer que sequer um dia me senti daquele jeito.
E, claro, você é livre pra fazer tudo isso. Pode entorpecer seus sentidos, perder a noção de si mesmo, esquecer da vida... mas teus sentimentos mais profundos não esquecem de você. Porque eles nunca deixam de existir assim. Eles sempre vão voltar a te tirar o sono.
Então, uma hora ou outra, a gente também tem que se sentir livre pra parar, mandar o mundo em volta calar a boca, olhar pra dentro e se perguntar honestamente:
"E aí, como que você tá hoje?"
E se escutar com cuidado.
"Tenho medo de ficar sozinha."
"Não me acho boa o bastante pra isso."
"Não acho que mereço ser feliz assim."
"Eu gosto de ficar triste, e daí?"
Me espanto com as respostas que meu coração me dá, que variam muito de acordo com o dia. Mas depois que aprendi a ouvi-lo, também aprendi que ignorá-lo dói muito mais.
Porque tudo bem ter medo. Tudo bem não se achar merecedor do que você deseja. E esses sentimentos merecem atenção sim. Acima de tudo, eles merecem receber a luz de aceitação e perdão que brilha do teu centro, através de todas essas camadas, a partir de quem você é de verdade. 
Você é maior que tudo isso. Por dentro, nesse centro, somos todos perfeitos. Na verdade, talvez a maior besteira esteja em pensar que somos imperfeitos; que somos os nossos medos, as nossas inseguranças ou as nossas fraquezas. Não somos. Somos o quê nos mantém de pé. Somos o quê nos faz acordar todos os dias de olhos e coração abertos.
Eu sou a minha esperança.
Eu sou a minha intensidade.
E sou a minha persistência.
Eu sou o meu amor.



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Replicando

Tem coisa mais triste do que querer replicar um relacionamento em outro? Soa ridículo pra mim. 
Cada pessoa, relação e circunstância são únicos. Não se repetem. Não devem ser comparados. 
Ainda assim, acabo comparando. Porque baseio minhas expectativas nas experiências que me remetem a um momento ou a uma pessoa que me fez feliz. Imagino minha felicidade a partir do que já conheço e me é familiar. E sim, a gente se ilude achando que o quê a gente conhece é mais certo, seguro e garantido. Sem surpresas, mas confortável.
Daí fica difícil se permitir conhecer o novo, se surpreender e se libertar do que te limita.

Vai ver o jeito é mudar a base, a referência de felicidade. Porque, pensando bem, o quê todos meus momentos felizes tiveram em comum foi eu mesma. 
Todos os homens que passaram pela minha vida foram um reflexo desse meu estado de espírito que se manifestou de maneiras diferentes com cada um. E quantas maneiras diferentes! Isso só enriquece, me fortalece e me mostra as infinitas possibilidades dentro de mim mesma. 
Minha felicidade maior está em mim.
Qualquer coisa que vá além do potencial que agora começo a reconhecer em mim não deve gerar qualquer tipo de expectativas, sejam elas altas ou baixas. No fim das contas, só posso contar com a certeza de que nunca vou desistir de me fazer feliz.  O peguete, o ex, o cara que eu vou apresentar pra minha mãe... bem, participem da minha vida como bem preferirem. Não importa a circunstância, a pessoa ou a relação; vou sempre sorrir e agradecer pelo que for que me proporcionaram. Liberto todos vocês, ao mesmo tempo que me reservo o direito e a responsabilidade integral e vitalícia de me fazer feliz.

sábado, 26 de outubro de 2013

Impulso

Cresci tentando aprender a não ser impulsiva. "Impulsividade é coisa de gente irresponsável", dizia minha voz ditatorial interna, "Devemos pensar e repensar atitudes, para então trazê-las à ação."
Será?
De quais atitudes estamos falando? Quais impulsos? Até que ponto esse pensar e repensar pode estar nos restringindo de perseguir o quê realmente desejamos?
Minha voz essencial mais profunda me diz o contrário: "não pensa; sente."
Mas sentir de verdade. Fazer calar todas as outras vozes, vozes dos outros, vozes que nos calam, vozes que não correspondem com a nossa essência de amor e carinho para com nós mesmos. Sentiu? Agora sim. Pode deixar fluir, persegue, busca. Vai até o fim.
Porque esse não é mais um impulso de qualquer falsa crença tua ou de outra pessoa. Não é um impulso do teu orgulho. Não é um impulso do teu ego.
Esse é o impulso que realmente segue seu propósito maior: impulsionar, pra cima, pra frente, pro mundo. 
Pro universo.

domingo, 20 de outubro de 2013

É Como Andar de Bicicleta (Parte 2)

Algum tempo atrás, soltar as duas mãos do guidão da bicicleta era como superar um medo. Na época, consegui soltar uma mão apenas ou ficar alguns míseros segundos com alguns míseros centímetros entre as minhas mãos e o controle da bicicleta.
Hoje resolvi tentar de novo. E, longe de qualquer medo, me diverti. Sem as mãos. Cair de cara no asfalto? Bater em alguma árvore? Que nada. 
Foi como houvesse a mão de uma outra pessoa guiando a bike pelo caminho certo, como meu pai fazia ao me ensinar a andar sem rodinhas. Enquanto eu continuasse pedalando, o destino era certo.
Entreguei o guidão ao vento para finalmente ter minhas mãos livres.
E abracei o mundo.