O ser humano tem um jeito bem bizarro de gostar.
Afirmamos gostar do nosso carro, mas não nos damos ao trabalho de dar uma revisão pro bichinho no tempo recomendado.
Juramos que gostamos de alguém, mas nem sempre lembramos de nos colocar no lugar dela com um pouco mais de empatia.
Falamos que temos amor e noção de valor próprio, mas isso se torna secundário fácil fácil quando nos dispomos a fazer qualquer coisa para agradar outro que também supostamente amamos.
Que jeito mais doente é esse de amar?
Amamos a sensação que nos passa no momento, a ideia que aquilo implica e nada além disso. Tudo reflexo do que achamos que nos falta, angustia e aprisiona, esperando que outro me complete, acalme e liberte por mim mesmo. Cegos pelo que achamos que somos e precisamos, somos incapazes de amar algo simplesmente por "ser".
Mal enxergamos o que somos, quem dirá outras pessoas ou até objetos.
Pra amar de verdade, é preciso primeiro fazer isso consigo próprio, por se enxergar de verdade e saber se apreciar por inteiro, principalmente pelas partes menos admiráveis. Aí sim dá pra pensar em apreciar os outros pelo que realmente são, enxergando todos os defeitos e qualidades que o fato de existir implica nesse mundo.
Somente quando gostar de algo não envolver minhas próprias necessidades, justamente por essas já serem reconhecidas e cuidadas por mim mesmo, o apreço ao próximo será possível. Então o cuidar será uma simples extensão de mim mesmo a um outro que é também uma pessoa única e individual, mas com quem desejo compartilhar e expandir um amor que já é infinitamente cultivado dentro de mim.
Porque, pra querer e amar alguém de verdade, é necessário primeiro precisar só de si mesmo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Felicidade pra Depois
Ultimamente, quase todas as pessoas que entram na minha sala de aula demonstram muito, muito estresse. "Tenho trabalhado demais" é a resposta mais recorrente às causas dessa sensação, geralmente em função de um objetivo maior. Mas acho que a coisa é um pouco mais profunda que isso, indo além do clichê que o "stress" passou a ser graças às matérias do Globo Repórter e àquelas camisetas-lembrancinha de Porto Seguro (sim, você também lembra delas, não negue).
Especialmente para os ansiosos (e, na boa, quem não é?), a armadilha é certa. Você quer garantir que tudo aconteça como você acha melhor e está disposto a dar o melhor do melhor do seu máximo para isso. Como se você pudesse deter o controle da situação. Como se a realidade dependesse só de você. Como se toda essa pressão fosse garantir seu sucesso mais pra frente.
Você pode se considerar batalhador, sonhador e prático, e tudo isso é muito bom. Pode usar como resposta naquelas perguntas típicas de RH em entrevista de emprego. Mas o problema é que nem sempre seu trabalho, família ou relacionamento vai corresponder às suas expectativas ou aos seus esforços. E daí, você chora, levanta e começa tudo de novo, enquanto a tão almejada felicidade fica cada vez mais longe.
Exigindo que a felicidade venha do jeitinho que você quer e nada além disso, ela acaba se tornando aquele pontinho de luz inalcançável no fim da estrada onde a frustração, a exaustão e o estresse são destino certo. E até quando você vai adiar ser feliz? Até quando vai esperar que tudo seja do jeitinho que você quer para começar a curtir, aproveitar e apreciar as coisas hoje, como elas são?
Honestamente, acho que nenhum objetivo vale o preço de viver um mês, um ano ou uma vida inteira de infelicidade. O tempo é um negócio precioso demais para ser desperdiçado com qualquer coisa que não te faz bem. Algumas coisas só vão vir com esforço e dedicação a longo prazo, ok. Mas melhor ainda se pudermos fazer com que esse prazo seja prazeroso, produtivo e alegre, não acha?
Além disso, quer um palpite? A melhor felicidade do mundo pode estar justamente no entre o que você deseja e o que mundo quer mostrar pra você. Vai um pouquinho pro lado, abre um espaço pra ela, vai. A estrada é longa, mas essa companheira faz qualquer viagem valer a pena.
Especialmente para os ansiosos (e, na boa, quem não é?), a armadilha é certa. Você quer garantir que tudo aconteça como você acha melhor e está disposto a dar o melhor do melhor do seu máximo para isso. Como se você pudesse deter o controle da situação. Como se a realidade dependesse só de você. Como se toda essa pressão fosse garantir seu sucesso mais pra frente.
Você pode se considerar batalhador, sonhador e prático, e tudo isso é muito bom. Pode usar como resposta naquelas perguntas típicas de RH em entrevista de emprego. Mas o problema é que nem sempre seu trabalho, família ou relacionamento vai corresponder às suas expectativas ou aos seus esforços. E daí, você chora, levanta e começa tudo de novo, enquanto a tão almejada felicidade fica cada vez mais longe.
Exigindo que a felicidade venha do jeitinho que você quer e nada além disso, ela acaba se tornando aquele pontinho de luz inalcançável no fim da estrada onde a frustração, a exaustão e o estresse são destino certo. E até quando você vai adiar ser feliz? Até quando vai esperar que tudo seja do jeitinho que você quer para começar a curtir, aproveitar e apreciar as coisas hoje, como elas são?
Honestamente, acho que nenhum objetivo vale o preço de viver um mês, um ano ou uma vida inteira de infelicidade. O tempo é um negócio precioso demais para ser desperdiçado com qualquer coisa que não te faz bem. Algumas coisas só vão vir com esforço e dedicação a longo prazo, ok. Mas melhor ainda se pudermos fazer com que esse prazo seja prazeroso, produtivo e alegre, não acha?
Além disso, quer um palpite? A melhor felicidade do mundo pode estar justamente no entre o que você deseja e o que mundo quer mostrar pra você. Vai um pouquinho pro lado, abre um espaço pra ela, vai. A estrada é longa, mas essa companheira faz qualquer viagem valer a pena.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
A Carta na Manga
Sinceramente, sempre fui a rainha da impulsividade, de não deixar nada por falar e de agir de acordo com o que eu sinto, por mais momentâneo que seja. Mas depois de tantas quedas, é quase impossível se ver no chão e não perceber que o discurso de faço-o-que-meu-coração-manda acaba muitas vezes sendo uma desculpa.
Tem vezes que me deixo levar por minhas emoções indiscriminadamente para simplesmente jogá-las ao mundo e esperar que o mundo use e lide com elas melhor do que eu.
O quê eu sinto muitas vezes parece não caber dentro de mim. O sentimento se torna um vírus, que contamina e se espalha por todos os pensamentos que eu vou ter até o momento em que eu finalmente cair no sono (e, claro, justamente por isso que essa hora passa a demorar até mais pra chegar).
Só que, ao acordar ainda cansada do dia anterior e mais ainda de mim mesma, a claridade invade o quarto e o grande "quê" fica mais claro. Minhas emoções são só minhas. Ninguém mais além de mim tem o poder de direcioná-las e transformá-las sozinho. Esse poder é meu a partir do momento em que as criei pela minha forma de pensar. Eu que as criei; a responsabilidade é minha.
Minhas emoções estão sempre em mim, e me comprometo a honrá-las em todos os momentos da minha vida. Mas sou eu que tenho o poder sobre elas, e não o contrário. Elas são parte essencial da pessoa que sou, mas não a única parte.
Vou sempre ouvir, aceitar, perdoar e amar o que quer que minhas emoções queiram me dizer. Mas, hoje, elas são apenas algumas cartas do baralho. Quem dita o jogo sou eu.
Boa noite.
Tem vezes que me deixo levar por minhas emoções indiscriminadamente para simplesmente jogá-las ao mundo e esperar que o mundo use e lide com elas melhor do que eu.
O quê eu sinto muitas vezes parece não caber dentro de mim. O sentimento se torna um vírus, que contamina e se espalha por todos os pensamentos que eu vou ter até o momento em que eu finalmente cair no sono (e, claro, justamente por isso que essa hora passa a demorar até mais pra chegar).
Só que, ao acordar ainda cansada do dia anterior e mais ainda de mim mesma, a claridade invade o quarto e o grande "quê" fica mais claro. Minhas emoções são só minhas. Ninguém mais além de mim tem o poder de direcioná-las e transformá-las sozinho. Esse poder é meu a partir do momento em que as criei pela minha forma de pensar. Eu que as criei; a responsabilidade é minha.
Minhas emoções estão sempre em mim, e me comprometo a honrá-las em todos os momentos da minha vida. Mas sou eu que tenho o poder sobre elas, e não o contrário. Elas são parte essencial da pessoa que sou, mas não a única parte.
Vou sempre ouvir, aceitar, perdoar e amar o que quer que minhas emoções queiram me dizer. Mas, hoje, elas são apenas algumas cartas do baralho. Quem dita o jogo sou eu.
Boa noite.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Carta de Apresentação
Oi. Você já me viu por aí, mas acho que não sabe ao certo quem eu sou. Mas, acredite, eu sei bem que você é. Eu estou sempre em volta; você que não me reconhece.
Às vezes me disfarço de coração partido. Não é meu disfarce preferido, mas pelo menos depois de algum tempo você me percebe. Fui eu que te dei aquele empurrãozinho pra ter coragem pra recomeçar, lembra? E mesmo quando você não acreditava que merecia uma segunda chance, eu te acordava todo dia pra te dar todas as chances do mundo. Você nunca deixou de merecê-las, só precisava de alguém pra te lembrar disso.
Outras vezes acabo me aliando a um conhecido meu, o Ego, e daí nos disfarçamos de frustração. Ele só quer te dar mais teimosia, mas eu sempre dou um jeitinho de usar isso pra mostrar como todo esse drama não faz sentido. Sem pressa, não vou impor nada a você. Bem pelo contrário, vou falar bem baixinho no seu ouvido o discurso que você uma hora outra vai ouvir: até quando você vai culpar o mundo por não ser do jeito que você quer, ao invés de aproveitá-lo do jeitinho que ele é e tirar o melhor dele?
Ainda assim, tem gente por aí que insiste em me confundir com a Dor. De vez em quando eu até cruzo com ela por aí, mas nunca conversamos. Não temos nada pra conversar. Somos muito diferentes. Ela quer estagnação. Eu quero movimento. Ela quer que você tenha dó de você mesmo. Eu quero que você cresça consigo mesmo.
Se quer me confundir com alguém, me confunda com o Aprendizado. Ele chega sempre um pouco antes ou um pouco depois de mim, mas nunca se atrasa. Ele é meu parceiro; só funcionamos se o outro estiver por perto.
Não vou me alongar muito mais. Uma hora ou outra você vai me conhecer de perto e vai entender tudo isso. Seremos grandes amigos, pode ter certeza. Mas, enquanto isso, deixa eu só me apresentar.
Oi, meu nome é Oportunidade.
Às vezes me disfarço de coração partido. Não é meu disfarce preferido, mas pelo menos depois de algum tempo você me percebe. Fui eu que te dei aquele empurrãozinho pra ter coragem pra recomeçar, lembra? E mesmo quando você não acreditava que merecia uma segunda chance, eu te acordava todo dia pra te dar todas as chances do mundo. Você nunca deixou de merecê-las, só precisava de alguém pra te lembrar disso.
Outras vezes acabo me aliando a um conhecido meu, o Ego, e daí nos disfarçamos de frustração. Ele só quer te dar mais teimosia, mas eu sempre dou um jeitinho de usar isso pra mostrar como todo esse drama não faz sentido. Sem pressa, não vou impor nada a você. Bem pelo contrário, vou falar bem baixinho no seu ouvido o discurso que você uma hora outra vai ouvir: até quando você vai culpar o mundo por não ser do jeito que você quer, ao invés de aproveitá-lo do jeitinho que ele é e tirar o melhor dele?
Ainda assim, tem gente por aí que insiste em me confundir com a Dor. De vez em quando eu até cruzo com ela por aí, mas nunca conversamos. Não temos nada pra conversar. Somos muito diferentes. Ela quer estagnação. Eu quero movimento. Ela quer que você tenha dó de você mesmo. Eu quero que você cresça consigo mesmo.
Se quer me confundir com alguém, me confunda com o Aprendizado. Ele chega sempre um pouco antes ou um pouco depois de mim, mas nunca se atrasa. Ele é meu parceiro; só funcionamos se o outro estiver por perto.
Não vou me alongar muito mais. Uma hora ou outra você vai me conhecer de perto e vai entender tudo isso. Seremos grandes amigos, pode ter certeza. Mas, enquanto isso, deixa eu só me apresentar.
Oi, meu nome é Oportunidade.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O que acontece depois da solidão?
Falem o que quiserem, mas não acredito que alguém seja feliz de verdade sozinho. Todos nós precisamos de um ombro amigo, de uma palavra de carinho ou do afeto de uma outra pessoa. Isso é natural.
Mas não sei se é tão natural assim o medo de ficar sozinho.
Lembro do autor Nick Flynn falando algo assim numa mesa redonda sobre auto-conhecimento e a função da solidão nessa busca. Ele pontuou como as pessoas evitam essa sensação a qualquer custo, mesmo sem saber de verdade o que nos espera além dela.
"Em qualquer momento que nos encontramos sozinhos, recorremos à mensagens, ligações ou internet numa tentativa de abafar a sensação de que estamos de fato sozinhos. Mas é só uma sensação, que como qualquer outra também vai passar quando nos acostumarmos com ela. Mas sequer arriscamos senti-la, com medo do que ela pode nos oferecer. Mas o que acontece depois da solidão, afinal?"
Esperando um amigo chegar no bar ou em qualquer momento inesperado sem companhia, o comportamento padrão tem sido ver o que há de novo no Facebook ou no Whatsaspp, como se o videozinho que juro-que-é-super-interessante ou o grupo que chove-mensagens-sem-noção não pudesse esperar até você chegar em casa. Sendo bem honesta, várias vezes fiz até pior e me peguei simplesmente encarando a tela do celular, sem nada pra ver ou me entreter. Parando um pouco pra pensar, percebi que o quê eu não queria era parecer sozinha ou entediada ou ficar observando outras pessoas acompanhadas. E, enfim, me sentir sozinha.
Mas ultimamente tenho contrariado esse meu comportamento. Com o celular na bolsa, curto um drink sozinha sem sentir dó de mim mesma ao ver outros acompanhados. Na verdade, até descobri que é divertido observar outras pessoas. É lindo notar como somos tão parecidos e ao mesmo tempo diferentes. Indo mais além, mais interessante ainda é quando um dos observados inicia uma conversa ou eu mesma o faço. Sempre tem algo diferente pra saber. E mesmo quando não há ninguém por perto ou puxando papo, aprendi a dar espaço para meus pensamentos irem e virem, observando-os com cuidado e até bom humor de vez em quando.
Nem sempre é uma experiência incrível daquelas que valem a pena contar pros amigos, mas sempre acrescenta algo. A rotina ganha um gostinho de novidade, o olhar fica mais leve, e a alma cresce. Aprendo sobre mim mesma com os outros, aprendo sobre os outros comigo mesma.
Sem esperar o celular apitar ou qualquer pessoa ligar, dou espaço para o novo chegar até mim. E nada mais novo do que cada vez mais descobrir o prazer de sua própria presença e das pessoas à sua volta, mesmo que não faça ideia de quem você mesmo ou os outros sejam.
Depois de deixar a sensação de solidão passar, percebo que nunca estamos sozinhos. Só precisamos de um olhar atento, uma mente pensante e um coração batendo.
Mas não sei se é tão natural assim o medo de ficar sozinho.
Lembro do autor Nick Flynn falando algo assim numa mesa redonda sobre auto-conhecimento e a função da solidão nessa busca. Ele pontuou como as pessoas evitam essa sensação a qualquer custo, mesmo sem saber de verdade o que nos espera além dela.
"Em qualquer momento que nos encontramos sozinhos, recorremos à mensagens, ligações ou internet numa tentativa de abafar a sensação de que estamos de fato sozinhos. Mas é só uma sensação, que como qualquer outra também vai passar quando nos acostumarmos com ela. Mas sequer arriscamos senti-la, com medo do que ela pode nos oferecer. Mas o que acontece depois da solidão, afinal?"
Esperando um amigo chegar no bar ou em qualquer momento inesperado sem companhia, o comportamento padrão tem sido ver o que há de novo no Facebook ou no Whatsaspp, como se o videozinho que juro-que-é-super-interessante ou o grupo que chove-mensagens-sem-noção não pudesse esperar até você chegar em casa. Sendo bem honesta, várias vezes fiz até pior e me peguei simplesmente encarando a tela do celular, sem nada pra ver ou me entreter. Parando um pouco pra pensar, percebi que o quê eu não queria era parecer sozinha ou entediada ou ficar observando outras pessoas acompanhadas. E, enfim, me sentir sozinha.
Mas ultimamente tenho contrariado esse meu comportamento. Com o celular na bolsa, curto um drink sozinha sem sentir dó de mim mesma ao ver outros acompanhados. Na verdade, até descobri que é divertido observar outras pessoas. É lindo notar como somos tão parecidos e ao mesmo tempo diferentes. Indo mais além, mais interessante ainda é quando um dos observados inicia uma conversa ou eu mesma o faço. Sempre tem algo diferente pra saber. E mesmo quando não há ninguém por perto ou puxando papo, aprendi a dar espaço para meus pensamentos irem e virem, observando-os com cuidado e até bom humor de vez em quando.
Nem sempre é uma experiência incrível daquelas que valem a pena contar pros amigos, mas sempre acrescenta algo. A rotina ganha um gostinho de novidade, o olhar fica mais leve, e a alma cresce. Aprendo sobre mim mesma com os outros, aprendo sobre os outros comigo mesma.
Sem esperar o celular apitar ou qualquer pessoa ligar, dou espaço para o novo chegar até mim. E nada mais novo do que cada vez mais descobrir o prazer de sua própria presença e das pessoas à sua volta, mesmo que não faça ideia de quem você mesmo ou os outros sejam.
Depois de deixar a sensação de solidão passar, percebo que nunca estamos sozinhos. Só precisamos de um olhar atento, uma mente pensante e um coração batendo.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Uma Crônica de Café, Starbucks e Empatia
*Aos amigos do Starbucks, que hoje me serviram café com inspiração.
Estava passando por um bloqueio pra escrever. Segui o procedimento padrão pra resolver: muffin, café e Starbucks.
Nem sempre o atendente está no melhor humor, mas nunca atendem mal ou são grossos. Na verdade, eles tão fazendo a mesma coisa que eu: sobrevivendo da melhor maneira que podem a mais um dia de trabalho. E pior que eu, a um dia de trabalho no shopping mais "pop" da cidade. Ok, eles se submeteram e escolheram isso. Mas não escolheram e nem precisam ouvir palavras que me fazem ter vergonha de pertencer à raça humana.
"Estranho, né, sempre que venho aqui me atendem de má vontade. Po, sai daqui, velho, vai pra rua, vai se drogar, mas larga esse trabalho de merda", disse o cliente que se senta à minha frente, como se fosse o único ser humano importante no estabelecimento inteiro. Ergui os olhos, mas determinada a me concentrar no meu muffin de banana.
Dois minutos depois, um atendente chama "Leo!", referente a um pedido pronto. Em seguida, a criatura responde "Eu!!!" e continua sentada com pés alegremente balançando na cadeira, como se esperando para ser atendida à mesa. Pra mim, foi como voltar pra sala da quarta-série, tendo que aguentar a piadinha diária do engraçadinho que senta no fundão. Mas agora ao invés de arranjar briga na diretoria, respirei fundo.
"Seu pedido, senhor."
"Ahhhh, aí sim! Eles gritam meu nome, eu não posso gritar de volta?" respondeu ele sarcasticamente a caminho do balcão, enquanto seu colega de mesa me olhava rindo como se não acreditasse no amigo. E, realmente, era inacreditável.
Agora vão me falar que cliente tem direito de reclamar por um serviço mal feito. E sim, temos esse direito. Mas, antes disso, qualquer ser humano no mundo tem direito a respeito. Você foi atendido mal? Chame o responsável, explique, oriente. Mas se correr atrás do que você merece e deseja implica em armar o barraco, subir o tom de voz e desprezar o trabalho do outro, repense. Sugiro até que primeiro pratique o exercício básico de respiração, que eu mesma fiz nessa situação.
Se quiser arriscar ir um pouco mais além, crie o hábito da empatia. E nem precisa de muito esforço. Um "obrigado" olhando nos olhos já ajuda a perceber que, assim como você, ninguém consegue estar de bem com a vida ou muito menos com o trabalho todo dia. E quando você receber um "de nada", seja ele acompanhado por um sorriso ou por um olhar perdido, recorde-se de que pelo menos a sua parte foi feita. Sente e espere seu pedido consciente de que sua gentileza inevitavelmente vai gerar uma outra, e muitas vezes de maneira bem inesperada. Pode ser do próprio trabalhador que fará melhor seu trabalho numa próxima vez; pode ser de você mesmo, que passará seu dia mais leve e sem ressentimentos; ou até quem sabe de uma aspirante a escritora que estava na mesa ao lado esperando por uma história pra contar.
Estava passando por um bloqueio pra escrever. Segui o procedimento padrão pra resolver: muffin, café e Starbucks.
Nem sempre o atendente está no melhor humor, mas nunca atendem mal ou são grossos. Na verdade, eles tão fazendo a mesma coisa que eu: sobrevivendo da melhor maneira que podem a mais um dia de trabalho. E pior que eu, a um dia de trabalho no shopping mais "pop" da cidade. Ok, eles se submeteram e escolheram isso. Mas não escolheram e nem precisam ouvir palavras que me fazem ter vergonha de pertencer à raça humana.
"Estranho, né, sempre que venho aqui me atendem de má vontade. Po, sai daqui, velho, vai pra rua, vai se drogar, mas larga esse trabalho de merda", disse o cliente que se senta à minha frente, como se fosse o único ser humano importante no estabelecimento inteiro. Ergui os olhos, mas determinada a me concentrar no meu muffin de banana.
Dois minutos depois, um atendente chama "Leo!", referente a um pedido pronto. Em seguida, a criatura responde "Eu!!!" e continua sentada com pés alegremente balançando na cadeira, como se esperando para ser atendida à mesa. Pra mim, foi como voltar pra sala da quarta-série, tendo que aguentar a piadinha diária do engraçadinho que senta no fundão. Mas agora ao invés de arranjar briga na diretoria, respirei fundo.
"Seu pedido, senhor."
"Ahhhh, aí sim! Eles gritam meu nome, eu não posso gritar de volta?" respondeu ele sarcasticamente a caminho do balcão, enquanto seu colega de mesa me olhava rindo como se não acreditasse no amigo. E, realmente, era inacreditável.
Agora vão me falar que cliente tem direito de reclamar por um serviço mal feito. E sim, temos esse direito. Mas, antes disso, qualquer ser humano no mundo tem direito a respeito. Você foi atendido mal? Chame o responsável, explique, oriente. Mas se correr atrás do que você merece e deseja implica em armar o barraco, subir o tom de voz e desprezar o trabalho do outro, repense. Sugiro até que primeiro pratique o exercício básico de respiração, que eu mesma fiz nessa situação.
Se quiser arriscar ir um pouco mais além, crie o hábito da empatia. E nem precisa de muito esforço. Um "obrigado" olhando nos olhos já ajuda a perceber que, assim como você, ninguém consegue estar de bem com a vida ou muito menos com o trabalho todo dia. E quando você receber um "de nada", seja ele acompanhado por um sorriso ou por um olhar perdido, recorde-se de que pelo menos a sua parte foi feita. Sente e espere seu pedido consciente de que sua gentileza inevitavelmente vai gerar uma outra, e muitas vezes de maneira bem inesperada. Pode ser do próprio trabalhador que fará melhor seu trabalho numa próxima vez; pode ser de você mesmo, que passará seu dia mais leve e sem ressentimentos; ou até quem sabe de uma aspirante a escritora que estava na mesa ao lado esperando por uma história pra contar.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Ser feliz não é uma competição
Estranho como o ser humano realmente se acostuma com tudo nessa vida.
Particularmente, tenho percebido muito como a gente está acostumado se cobrar demais e inevitavelmente sofrer quando não conseguimos corresponder a essas expectativas. Mas já pararam pra se perguntar daonde vem todas essas metas e objetivos impossíveis que gostamos de impor a nós mesmos? Por que tanto esforço? Por que parece que nunca é o bastante? Por que tudo tem que ser tão sofrido?
"Tenho que ser o melhor. Não quero decepcionar ninguém."
Temos medo de sermos menos do que outros esperam de nós. Temos medo de ser o que somos e isso contrariar a ideia alheia. Temos medo de sermos nós mesmos "demais". Mas tanto medo de algo que nem conhecemos direito me soa tão irracional quanto uma criança com medo de escuro no próprio quarto. Quando alguém finalmente acende a luz, o medo se dissipa, se perde, se racionaliza. A diferença é que a nossa luz interna só nós mesmos podemos acender. E que o caminho até lá parece inconcebível de vez em quando.
Por outro lado, pode ter certeza: a situação e o medo uma hora ou outra vão passar. Mas você vai estar pra sempre acordando no mesmo quarto consigo mesmo. Não dá pra fugir da nossa própria presença.
Então não custa nada tentar.
Tente não esperar tanto de si mesmo. Não, você não vai deixar de sonhar alto. Sim, você vai continuar trabalhando duro pra fazer seus sonhos se realizarem. Só que sem pressão. Sei que você acha que precisa dela. Acha que ela é que te faz tirar a bunda do sofá e fazer sua vida acontecer. Mas pode parar de achar. Não tem problema. Solte as rédeas e abrace a si mesmo para perceber que não é a pressão, mas a sua infinita vontade de ser feliz que te move.
Agora sim, pode segurar firme. Acenda a luz. E quando você menos esperar, o seu melhor lado, aquele mais determinado, apaixonado, consciente e forte, vai conseguir transparecer muito mais facilmente. Tudo que ele precisava era do espacinho na sua vida que o medo fazia questão de ocupar.
Desocupe sua mente do que não te faz evoluir e preencha com uma
boa dose de eu-me-perdoo-por-não-ser-perfeito. Não garanto que seus resultados instantaneamente vão exceder sua expectativa ou a dos outros. Mas você não precisa mais ser o melhor de todos mesmo. Só precisa ser você mesmo, sempre evoluindo e aprendendo não importa a situação. E esse seu eu, sem dúvida alguma, te trará mais contentamento e felicidade do que o melhor de qualquer outra pessoa.
Ser feliz não é uma competição. É uma opção.
Particularmente, tenho percebido muito como a gente está acostumado se cobrar demais e inevitavelmente sofrer quando não conseguimos corresponder a essas expectativas. Mas já pararam pra se perguntar daonde vem todas essas metas e objetivos impossíveis que gostamos de impor a nós mesmos? Por que tanto esforço? Por que parece que nunca é o bastante? Por que tudo tem que ser tão sofrido?
"Tenho que ser o melhor. Não quero decepcionar ninguém."
Temos medo de sermos menos do que outros esperam de nós. Temos medo de ser o que somos e isso contrariar a ideia alheia. Temos medo de sermos nós mesmos "demais". Mas tanto medo de algo que nem conhecemos direito me soa tão irracional quanto uma criança com medo de escuro no próprio quarto. Quando alguém finalmente acende a luz, o medo se dissipa, se perde, se racionaliza. A diferença é que a nossa luz interna só nós mesmos podemos acender. E que o caminho até lá parece inconcebível de vez em quando.
Por outro lado, pode ter certeza: a situação e o medo uma hora ou outra vão passar. Mas você vai estar pra sempre acordando no mesmo quarto consigo mesmo. Não dá pra fugir da nossa própria presença.
Então não custa nada tentar.
Tente não esperar tanto de si mesmo. Não, você não vai deixar de sonhar alto. Sim, você vai continuar trabalhando duro pra fazer seus sonhos se realizarem. Só que sem pressão. Sei que você acha que precisa dela. Acha que ela é que te faz tirar a bunda do sofá e fazer sua vida acontecer. Mas pode parar de achar. Não tem problema. Solte as rédeas e abrace a si mesmo para perceber que não é a pressão, mas a sua infinita vontade de ser feliz que te move.
Agora sim, pode segurar firme. Acenda a luz. E quando você menos esperar, o seu melhor lado, aquele mais determinado, apaixonado, consciente e forte, vai conseguir transparecer muito mais facilmente. Tudo que ele precisava era do espacinho na sua vida que o medo fazia questão de ocupar.
Desocupe sua mente do que não te faz evoluir e preencha com uma
boa dose de eu-me-perdoo-por-não-ser-perfeito. Não garanto que seus resultados instantaneamente vão exceder sua expectativa ou a dos outros. Mas você não precisa mais ser o melhor de todos mesmo. Só precisa ser você mesmo, sempre evoluindo e aprendendo não importa a situação. E esse seu eu, sem dúvida alguma, te trará mais contentamento e felicidade do que o melhor de qualquer outra pessoa.
Ser feliz não é uma competição. É uma opção.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
"A avaliação dos outros não é nenhum guia pra mim"
Adoram falar pra gente não se importar com o que os outros dizem. "Seja você mesmo e pronto", eles dizem. Mas esse conselho já é contraditório por si só, sabe? A partir do momento que dou crédito ao seu conselho e o aceito, eu já estou me importando com o que você pensa de mim. Então acho meio utópica essa ideia de absolutamente não se importar com o que as pessoas pensam de você. Não tem como; se eu gosto e me importo com alguém nesse mundo, acabo de alguma forma me importando com a imagem que a pessoa tem de mim. E não tem nada de errado nisso.
Na real, acho que a indiferença em relação aos outros pode ser tão prejudicial quanto a obsessão pelo que eles pensam.
Tentar desesperadamente agradar aos outros, sem ouvir seus próprios desejos e verdades, é suicídio. São milhares as conceituações que as pessoas tem sobre o que te faria ser uma "boa pessoa". Tentar atender a todas essas expectativas só nos deixa ainda mais perdidos por aí e, pior ainda, perdidos de nós mesmos.
Agora, só ouvir a si mesmo, exclusivamente, não deixa de ser um pouco de soberba da nossa parte. Como se alguém conseguisse entender sozinho todas as vozes e sentimentos que se passam dentro da gente, sem precisar de ajuda de ninguém. Sim, acredito que temos dentro de nós as respostas para quase tudo que precisamos. Nosso potencial interno é infinito, mas ainda pouco explorado. Por isso que também creio que às vezes uma mãozinha de fora pode ser útil pra gente encontrar um pouco mais facilmente esse caminho interno às nossas respostas.
Uma frase (que dizem ser) do Bruce Lee cai bem aqui: "A avaliação dos outros não é nenhum guia pra mim." Ele não foi utópico ao dizer que não se importa com nada do que acham dele. Não. Ele fala sobre guia e diretriz, coisas bem diferentes do que dar ou não importância.
Esperar ser aprovado por todos é ser errante em meio a tantos caminhos, sem nunca encontrar um que lhe sirva e lhe satisfaça de verdade. Somos indivíduos diferentes e únicos demais para acreditarmos que o mesmo caminho que serviu ao outro servirá a mim automaticamente. Nossa força interna é a única capaz de nos guiar em direção à nossa própria verdade, no nosso próprio caminho. Mas essa não precisa ser uma caminhada solitária. Nossos caminhos individuais são únicos, mas isso não significa que não se cruzem. Mantenha sua mente aberta e tire proveito desses encontros. Sempre haverá algo a ensinar e a ser aprendido. Mas entenda que nesse emaranhado ninguém pode julgar, avaliar ou guiar melhor do que quem percorre cada caminho.
Tenha mente aberta ao que os outros podem te ensinar e ajudar, mas sempre com o coração inteiramente aberto a tudo que você tem a aprender com você mesmo.
Na real, acho que a indiferença em relação aos outros pode ser tão prejudicial quanto a obsessão pelo que eles pensam.
Tentar desesperadamente agradar aos outros, sem ouvir seus próprios desejos e verdades, é suicídio. São milhares as conceituações que as pessoas tem sobre o que te faria ser uma "boa pessoa". Tentar atender a todas essas expectativas só nos deixa ainda mais perdidos por aí e, pior ainda, perdidos de nós mesmos.
Agora, só ouvir a si mesmo, exclusivamente, não deixa de ser um pouco de soberba da nossa parte. Como se alguém conseguisse entender sozinho todas as vozes e sentimentos que se passam dentro da gente, sem precisar de ajuda de ninguém. Sim, acredito que temos dentro de nós as respostas para quase tudo que precisamos. Nosso potencial interno é infinito, mas ainda pouco explorado. Por isso que também creio que às vezes uma mãozinha de fora pode ser útil pra gente encontrar um pouco mais facilmente esse caminho interno às nossas respostas.
Uma frase (que dizem ser) do Bruce Lee cai bem aqui: "A avaliação dos outros não é nenhum guia pra mim." Ele não foi utópico ao dizer que não se importa com nada do que acham dele. Não. Ele fala sobre guia e diretriz, coisas bem diferentes do que dar ou não importância.
Esperar ser aprovado por todos é ser errante em meio a tantos caminhos, sem nunca encontrar um que lhe sirva e lhe satisfaça de verdade. Somos indivíduos diferentes e únicos demais para acreditarmos que o mesmo caminho que serviu ao outro servirá a mim automaticamente. Nossa força interna é a única capaz de nos guiar em direção à nossa própria verdade, no nosso próprio caminho. Mas essa não precisa ser uma caminhada solitária. Nossos caminhos individuais são únicos, mas isso não significa que não se cruzem. Mantenha sua mente aberta e tire proveito desses encontros. Sempre haverá algo a ensinar e a ser aprendido. Mas entenda que nesse emaranhado ninguém pode julgar, avaliar ou guiar melhor do que quem percorre cada caminho.
Tenha mente aberta ao que os outros podem te ensinar e ajudar, mas sempre com o coração inteiramente aberto a tudo que você tem a aprender com você mesmo.
sábado, 12 de julho de 2014
Definir-se pelo seu trabalho é o mesmo que limitar-se
Tenho a data de entrega gritando num ouvido.
A voz do meu chefe no outro.
E dez mil vozes dentro de mim exigindo nada mais do que a perfeição.
Haja trabalho. Mas pra quê mesmo?
Ok, as contas não vão magicamente desaparecer no final do mês e a comida não vai milagrosamente brotar no seu quintal cimentado. Mas chega num ponto em que não estamos mais trabalhando só pra pagar conta ou botar comida na mesa.
Nessa hora, quando já estamos descontando o estresse até no cachorro atravessando a rua, parece bem mais provável que estejamos trabalhando para provar nosso valor.
É o nosso valor profissional recaindo sobre o pessoal. Como se ser um profissional competente me fizesse automaticamente uma pessoa melhor. Mas foi assim que a gente aprendeu.
Quando a tia do jardim de infância perguntava sobre nosso futuro, não queria saber dos lugares ou pessoas que queríamos conhecer. Ela perguntava sobre o que queríamos ser, e um "ser" totalmente restrito à nossa condição profissional. E daí a escola, o colégio, a faculdade, a vida toda passa a girar em volta de uma carreira que supostamente vai ditar nosso nível de sucesso e satisfação pessoal.
E quando finalmente surge o primeiro emprego e a carreira começa a se concretizar, a gente não hesita a cair de cabeça no trabalho e deixar que todas as outras áreas da nossa vida girem em volta dele.
E a pergunta surge de novo: pra quê mesmo?
Pode ser sincero. A sensação de estar estressado, ocupado e sobrecarregado supre todas suas necessidades de reconhecimento, afeto e satisfação? Se sentir exausto te traz felicidade?
Pelo menos no meu caso, me recuso a responder que sim. Me recuso a acreditar que o trabalho é capaz de nos definir.
Cada um tem sua vocação, e o trabalho pode ser uma maneira linda de explorá-la. Mas muitas vezes temos mais do que vocação; temos várias, mesmo elas sendo contraditórias ou não se aplicando na mesma profissão. E, ainda assim, todas podem servir para nosso crescimento pessoal, ao mesmo tempo que contribuem para a sociedade. Por que não ser engenheiro durante a semana e técnico do time de futebol do bairro no domingo? Por que não achar 1h de intervalo entre uma aula e outra pra tocar violão no hospital da cidade? E por que não fazer aquelas aulas de dança no seu tempo livre da empresa?
Somos dez mil coisas dentro de uma só. Permita que seu trabalho seja parte de quem você é e o faça com muito amor. Mas não se limite. Não se esconda de tudo que você é.
Explore-se. Descubra-se.
E seu valor próprio será muito maior do que seu chefe ou seu salário jamais poderiam te dar.
A voz do meu chefe no outro.
E dez mil vozes dentro de mim exigindo nada mais do que a perfeição.
Haja trabalho. Mas pra quê mesmo?
Ok, as contas não vão magicamente desaparecer no final do mês e a comida não vai milagrosamente brotar no seu quintal cimentado. Mas chega num ponto em que não estamos mais trabalhando só pra pagar conta ou botar comida na mesa.
Nessa hora, quando já estamos descontando o estresse até no cachorro atravessando a rua, parece bem mais provável que estejamos trabalhando para provar nosso valor.
É o nosso valor profissional recaindo sobre o pessoal. Como se ser um profissional competente me fizesse automaticamente uma pessoa melhor. Mas foi assim que a gente aprendeu.
Quando a tia do jardim de infância perguntava sobre nosso futuro, não queria saber dos lugares ou pessoas que queríamos conhecer. Ela perguntava sobre o que queríamos ser, e um "ser" totalmente restrito à nossa condição profissional. E daí a escola, o colégio, a faculdade, a vida toda passa a girar em volta de uma carreira que supostamente vai ditar nosso nível de sucesso e satisfação pessoal.
E quando finalmente surge o primeiro emprego e a carreira começa a se concretizar, a gente não hesita a cair de cabeça no trabalho e deixar que todas as outras áreas da nossa vida girem em volta dele.
E a pergunta surge de novo: pra quê mesmo?
Pode ser sincero. A sensação de estar estressado, ocupado e sobrecarregado supre todas suas necessidades de reconhecimento, afeto e satisfação? Se sentir exausto te traz felicidade?
Pelo menos no meu caso, me recuso a responder que sim. Me recuso a acreditar que o trabalho é capaz de nos definir.
Cada um tem sua vocação, e o trabalho pode ser uma maneira linda de explorá-la. Mas muitas vezes temos mais do que vocação; temos várias, mesmo elas sendo contraditórias ou não se aplicando na mesma profissão. E, ainda assim, todas podem servir para nosso crescimento pessoal, ao mesmo tempo que contribuem para a sociedade. Por que não ser engenheiro durante a semana e técnico do time de futebol do bairro no domingo? Por que não achar 1h de intervalo entre uma aula e outra pra tocar violão no hospital da cidade? E por que não fazer aquelas aulas de dança no seu tempo livre da empresa?
Somos dez mil coisas dentro de uma só. Permita que seu trabalho seja parte de quem você é e o faça com muito amor. Mas não se limite. Não se esconda de tudo que você é.
Explore-se. Descubra-se.
E seu valor próprio será muito maior do que seu chefe ou seu salário jamais poderiam te dar.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
A incrível geração de pessoas querendo se rotular
É interessante essa onda de opiniões que tá rolando agora no Facebook. Tem espaço pra todo mundo falar, ao mesmo tempo que incentiva esse mundo a ler e se informar mais.
Mas, assim como no mundo real, não dá pra virar esponjinha.
Na semana passada, li "A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer", da Ruth Manus, e achei uma perspectiva legal. Já faz um tempo que eu vejo casamentos terminando porque o marido é ciumento e inseguro demais pra deixar a mulher voar.
Daí ontem também li "A incrível geração das mulheres chatas", da Mariliz Pereira Jorge, e achei uma resposta justa. Porque também canso de ver umas meninas por aí que só sabem reclamar de homem, achando que só eles estão errados.
Os dois pontos de vista são válidos. PONTO. Mas nós, como leitores, temos que ter uma perspectiva que vá além de apenas duas visões ou de um só assunto. Então essa sou eu tentando ampliar minha percepção.
Sim, a mulherada tá mais livre do que foi uns anos atrás e tem muito homem se intimidando por causa disso. Mas não me parece que as pessoas tem se importado em ouvir a opinião masculina sobre isso. Será que essa geração independente de mães solteiras faz-tudo tá realmente criando filhinhos querendo esposinhas pra ficar dentro de casa cuidando dos filhos? Sério que as mulheres estão fazendo isso a si mesmas?
Por outro lado, sim, tem muita gente avulsa por aí, e por inúmeras razões que vão muito além da carreira ou do estilo de vida que as mulheres estão levando. Mas definir que alguém está solteira porque é "chata" ou que é "cool" porque tem um homem na cozinha preparando a janta, aí é muito voltar pra quarta série.
Se somos realmente uma geração de mulheres independentes ou chatas ou bem sucedidas ou bem resolvidas, por que raios estamos tentando nos definir com base no nosso status de relacionamento? E pior, porque estamos nos definindo como algo oposto ao universo masculino?
Do jeito que eu vejo as coisas, estamos mais parecendo uma geração perdida de homens E mulheres. Sem entender ao certo o valor das coisas, tentamos grudar um rótulo enorme em cada uma, mesmo sem ter provado ou ponderado a respeito de seus defeitos e qualidades. Porque é bonito ter opinião forte sobre tudo. Porque ponderar leva tempo, cabeça e humildade.
Então antes de rotular o outro como casadinho, chato, mulherzinha ou machinho, vamo se enxergar como ser humano. Vai ver assim, quem sabe, a gente entenda que não dá pra saber o valor das coisas só pela aparência.
Tem que sentir na pele pra saber.
Texto da Ruth: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/a-incrivel-geracao-de-mulheres-que-foi-criada-para-ser-tudo-o-que-um-homem-nao-quer/
Texto da Mariliz: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2014/06/1476515-a-incrivel-geracao-das-mulheres-chatas.shtml
Mas, assim como no mundo real, não dá pra virar esponjinha.
Na semana passada, li "A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer", da Ruth Manus, e achei uma perspectiva legal. Já faz um tempo que eu vejo casamentos terminando porque o marido é ciumento e inseguro demais pra deixar a mulher voar.
Daí ontem também li "A incrível geração das mulheres chatas", da Mariliz Pereira Jorge, e achei uma resposta justa. Porque também canso de ver umas meninas por aí que só sabem reclamar de homem, achando que só eles estão errados.
Os dois pontos de vista são válidos. PONTO. Mas nós, como leitores, temos que ter uma perspectiva que vá além de apenas duas visões ou de um só assunto. Então essa sou eu tentando ampliar minha percepção.
Sim, a mulherada tá mais livre do que foi uns anos atrás e tem muito homem se intimidando por causa disso. Mas não me parece que as pessoas tem se importado em ouvir a opinião masculina sobre isso. Será que essa geração independente de mães solteiras faz-tudo tá realmente criando filhinhos querendo esposinhas pra ficar dentro de casa cuidando dos filhos? Sério que as mulheres estão fazendo isso a si mesmas?
Por outro lado, sim, tem muita gente avulsa por aí, e por inúmeras razões que vão muito além da carreira ou do estilo de vida que as mulheres estão levando. Mas definir que alguém está solteira porque é "chata" ou que é "cool" porque tem um homem na cozinha preparando a janta, aí é muito voltar pra quarta série.
Se somos realmente uma geração de mulheres independentes ou chatas ou bem sucedidas ou bem resolvidas, por que raios estamos tentando nos definir com base no nosso status de relacionamento? E pior, porque estamos nos definindo como algo oposto ao universo masculino?
Do jeito que eu vejo as coisas, estamos mais parecendo uma geração perdida de homens E mulheres. Sem entender ao certo o valor das coisas, tentamos grudar um rótulo enorme em cada uma, mesmo sem ter provado ou ponderado a respeito de seus defeitos e qualidades. Porque é bonito ter opinião forte sobre tudo. Porque ponderar leva tempo, cabeça e humildade.
Então antes de rotular o outro como casadinho, chato, mulherzinha ou machinho, vamo se enxergar como ser humano. Vai ver assim, quem sabe, a gente entenda que não dá pra saber o valor das coisas só pela aparência.
Tem que sentir na pele pra saber.
Texto da Ruth: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/a-incrivel-geracao-de-mulheres-que-foi-criada-para-ser-tudo-o-que-um-homem-nao-quer/
Texto da Mariliz: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2014/06/1476515-a-incrivel-geracao-das-mulheres-chatas.shtml
quinta-feira, 26 de junho de 2014
É Bonito Ser Teimoso?
Aprenda a ler nas entrelinhas. Algumas regrinhas básicas estão implícitas por aí pra te ajudar a sobreviver no mundo.
Seja sincero sempre, mesmo se te acharem um grosso. Se não conseguir, apele para indiretas no facebook.
Tenha amor próprio. Deixe sempre que o outro corra atrás e não o ame demais.
Seja autêntico, não se deixe influenciar. Tenha suas próprias ideias, até as que não te deixam mais tão contente.
Agora, cá entre nós e fora das entrelinhas, parece que virou bonito ser teimoso. É motivo de admiração ser alguém que tem controle da coisas; que perdoa, mas não se permite esquecer; que respeita, mas no fundo mal sabe conviver; e que sabe ouvir os outros, mas nunca dá o braço a torcer.
Ao hino de "sou o que sou e ninguém vai me mudar", o ego reina sem restrições. E ainda recebendo aplausos.
Enquanto isso, em algum lugar entre sua pose rotineira e sua próxima noite de sono, sua essência chora. Ela quer ser ouvida, mas não vai gritar. Ela vai apenas continuar ali, como sempre esteve, sem nunca deixar de olhar por você.
E você, de frente pro espelho e cego pelo orgulho, idolatra sua própria imagem, mas não enxerga essa tal essência. Até porque enxergá-la significaria admitir que você não é tudo que pensa.
Mas a vida sabe o que faz. Nossas escolhas nunca geram consequências que não correspondam com as nossas intenções. E daí uma hora a máscara cai, e todo o sentimento de isolamento, de impotência e de profunda tristeza vem à tona. Você pode fugir do olhar dos outros, mas não pode fugir de si mesmo. Sua dor está ali e exige ser sentida. E quando você se permitir sentir, sua essência olhará no fundo dos seus olhos e dirá o quanto sentiu sua falta.
Não que faça parte da nossa essência encontrar tanta infelicidade. Mas às vezes a gente não vê outra escolha a não ser chegar no fundo do poço, pra daí então encontrar a força que impulsiona a nossa subida de volta.
Essa é uma força não te deixa desistir de si mesmo. Ela entende que as coisas do mundo não estão sob nosso controle. Ela compreende que o perdão é a única maneira de libertar a si mesmo através do outro. Ela sabe que cada ser é único e por isso tem um caminho único a seguir. E ela reconhece que, por mais diferentes sejamos, somos todos um só e todos merecemos a felicidade.
Essa força é quem você é de verdade. Escute-a, enxergue-a, sinta-a.
Não tenha medo de amolecer, suavizar ou mudar seu coração.
Atire as entrelinhas no fundo no poço.
E suba.
Seja sincero sempre, mesmo se te acharem um grosso. Se não conseguir, apele para indiretas no facebook.
Tenha amor próprio. Deixe sempre que o outro corra atrás e não o ame demais.
Seja autêntico, não se deixe influenciar. Tenha suas próprias ideias, até as que não te deixam mais tão contente.
Agora, cá entre nós e fora das entrelinhas, parece que virou bonito ser teimoso. É motivo de admiração ser alguém que tem controle da coisas; que perdoa, mas não se permite esquecer; que respeita, mas no fundo mal sabe conviver; e que sabe ouvir os outros, mas nunca dá o braço a torcer.
Ao hino de "sou o que sou e ninguém vai me mudar", o ego reina sem restrições. E ainda recebendo aplausos.
Enquanto isso, em algum lugar entre sua pose rotineira e sua próxima noite de sono, sua essência chora. Ela quer ser ouvida, mas não vai gritar. Ela vai apenas continuar ali, como sempre esteve, sem nunca deixar de olhar por você.
E você, de frente pro espelho e cego pelo orgulho, idolatra sua própria imagem, mas não enxerga essa tal essência. Até porque enxergá-la significaria admitir que você não é tudo que pensa.
Mas a vida sabe o que faz. Nossas escolhas nunca geram consequências que não correspondam com as nossas intenções. E daí uma hora a máscara cai, e todo o sentimento de isolamento, de impotência e de profunda tristeza vem à tona. Você pode fugir do olhar dos outros, mas não pode fugir de si mesmo. Sua dor está ali e exige ser sentida. E quando você se permitir sentir, sua essência olhará no fundo dos seus olhos e dirá o quanto sentiu sua falta.
Não que faça parte da nossa essência encontrar tanta infelicidade. Mas às vezes a gente não vê outra escolha a não ser chegar no fundo do poço, pra daí então encontrar a força que impulsiona a nossa subida de volta.
Essa é uma força não te deixa desistir de si mesmo. Ela entende que as coisas do mundo não estão sob nosso controle. Ela compreende que o perdão é a única maneira de libertar a si mesmo através do outro. Ela sabe que cada ser é único e por isso tem um caminho único a seguir. E ela reconhece que, por mais diferentes sejamos, somos todos um só e todos merecemos a felicidade.
Essa força é quem você é de verdade. Escute-a, enxergue-a, sinta-a.
Não tenha medo de amolecer, suavizar ou mudar seu coração.
Atire as entrelinhas no fundo no poço.
E suba.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
O Caminho a Seguir
Ayrton Senna já pregava a mensagem: se você acreditar, desejar e trabalhar duro, o seu desejo inevitavelmente vai se tornar realidade. Mas, entre tanta crença, desejo e trabalho, são inúmeros os caminhos que podem ser seguidos. Alguns são mais suaves e tranquilos, sem imprevistos. Outros mais sinuosos e perigosos, mas por onde continuamos seguindo em nome da força dos nossos sonhos.
Toda essa jornada sinuosa fica muito poética quando já alcançamos nosso objetivo e fazemos questão de glorificar nosso sofrimento. Parece que vira lei da física: conquistas e vitórias só vem através de sofrimento e sacrifício.
Mas vai ver não precisa ser assim.
O caminho para alcançar o quer que represente a nossa felicidade não precisa ser tão dolorido. Por mais que tenhamos foco e determinação, caminhar sem olhar pros lados, sem se questionar e sem se divertir pode tirar mais da metade do aprendizado e - por que não? - do prazer que aquela jornada poderia nos proporcionar.
Não custa nada olhar pros lados para apreciar a vista ou as pessoas em volta. Só agrega valor ao caminho e, consequentemente, ao objetivo.
Se questionar a respeito do quê você é capaz de fazer pra chegar "lá" ou até se você realmente quer chegar "lá" também é saudável. Não tem problema mudar de ideia no meio do caminho; sua bagagem apenas é transferida, nunca perdida.
E faça o favor a si mesmo de arranjar motivos pra rir e se divertir em meio às adversidades. Se é pra caminhar sem alegria, melhor parar por aí mesmo.
Não estou dizendo que nossos objetivos se concretizam num passe de mágica, fácil fácil. Estou só sugerindo que esse "difícil" não necessariamente é um sinônimo de sofrimento, penitência ou tristeza.
Não adianta nada ter orgulho de seguir uma jornada se ela não te traz felicidade. Deixemos nosso ego de lado para perceber que um caminho que não alimenta nossa alma e nossa essência é um caminho sem rumo. E que, sim, a gente perde o rumo de vez em quando.
Mas é você quem faz seu caminho. É a maneira com que você traça seu caminho que determina seu destino. Então, batalhe, corra atrás, faça acontecer. Mas também olhe pros lados, se questione, sorria. E tenha certeza de que enquanto você cultivar amor e alegria pelo simples fato de estar vivo, todos os caminhos te levarão à felicidade.
Qual deles você quer seguir?
Toda essa jornada sinuosa fica muito poética quando já alcançamos nosso objetivo e fazemos questão de glorificar nosso sofrimento. Parece que vira lei da física: conquistas e vitórias só vem através de sofrimento e sacrifício.
Mas vai ver não precisa ser assim.
O caminho para alcançar o quer que represente a nossa felicidade não precisa ser tão dolorido. Por mais que tenhamos foco e determinação, caminhar sem olhar pros lados, sem se questionar e sem se divertir pode tirar mais da metade do aprendizado e - por que não? - do prazer que aquela jornada poderia nos proporcionar.
Não custa nada olhar pros lados para apreciar a vista ou as pessoas em volta. Só agrega valor ao caminho e, consequentemente, ao objetivo.
Se questionar a respeito do quê você é capaz de fazer pra chegar "lá" ou até se você realmente quer chegar "lá" também é saudável. Não tem problema mudar de ideia no meio do caminho; sua bagagem apenas é transferida, nunca perdida.
E faça o favor a si mesmo de arranjar motivos pra rir e se divertir em meio às adversidades. Se é pra caminhar sem alegria, melhor parar por aí mesmo.
Não estou dizendo que nossos objetivos se concretizam num passe de mágica, fácil fácil. Estou só sugerindo que esse "difícil" não necessariamente é um sinônimo de sofrimento, penitência ou tristeza.
Não adianta nada ter orgulho de seguir uma jornada se ela não te traz felicidade. Deixemos nosso ego de lado para perceber que um caminho que não alimenta nossa alma e nossa essência é um caminho sem rumo. E que, sim, a gente perde o rumo de vez em quando.
Mas é você quem faz seu caminho. É a maneira com que você traça seu caminho que determina seu destino. Então, batalhe, corra atrás, faça acontecer. Mas também olhe pros lados, se questione, sorria. E tenha certeza de que enquanto você cultivar amor e alegria pelo simples fato de estar vivo, todos os caminhos te levarão à felicidade.
Qual deles você quer seguir?
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Se o amor da minha vida demora a chegar...
Nos últimos tempos, o assunto mais recorrente da minha escrita tem sido amor próprio, até com um certo tom de auto-suficiência. E esse seria um ótimo assunto pra falar no dia dos namorados, até porque muito do que eu escrevo é pra eu mesma ler.
Mas não vou fazer isso hoje.
Vou usar a mesma coragem tenho de superar os meus problemas para também encará-los de frente, sem máscaras.
Sim, rejeição está longe de ser o fim do mundo.
É verdade que ninguém pode nos salvar além de nós mesmos.
E claro que a maior carência que temos é pelo nosso próprio apreço.
Mas isso não quer dizer que outras vozes não existam. Existem fora da gente, nas propagandas, nos livros, nos filmes. E também dentro da gente, nos traumas, nos medos, no coração.
Tem vezes que é um sussurro, mas já é o bastante pra ecoar pelo quarto inteiro por horas.
"De que adianta eu estar bem comigo, se ninguém está disposto a estar bem junto comigo?"
"Será que um dia eu vou conseguir parar de criar tantas barreiras ao me relacionar?"
E a clássica: "Existe alguém no mundo pra mim, afinal?"
São perguntas que não pedem por respostas. Só pedem por questionamentos sem fim, noites em claro e algumas lágrimas de vez em quando.
Mas são só pensamentos; da mesma rapidez com que vem, também podem ir embora.
Eu escolho deixar eles irem.
Não é como se um príncipe encantado ouvisse as minhas vozes e viesse correndo ao meu resgate. Bem pelo contrário. Deixar esse tipo de pergunta me dominar só me traz pra baixo e afasta qualquer cara legal que pode um dia, quem sabe, talvez significar algo maior na minha vida. Se eu não gosto de estar comigo mesma assim, quem dirá outra pessoa.
Mas eu não sou esses pensamentos. Sou feita de algo infinitamente maior do que meras perguntas.
Eu me desapego dos pensamentos que me trazem pra baixo, pelo amor e pela vida que vibram dentro de mim. E mais do que isso, eu me comprometo a fazer com que eles vibrem cada vez mais, não importa quem esteja ao meu lado.
Se o amor da minha vida demora a chegar, eu escolho usar meu tempo para ser o meu melhor.
E eu escolho ser a mulher da minha vida.
Mas não vou fazer isso hoje.
Vou usar a mesma coragem tenho de superar os meus problemas para também encará-los de frente, sem máscaras.
Sim, rejeição está longe de ser o fim do mundo.
É verdade que ninguém pode nos salvar além de nós mesmos.
E claro que a maior carência que temos é pelo nosso próprio apreço.
Mas isso não quer dizer que outras vozes não existam. Existem fora da gente, nas propagandas, nos livros, nos filmes. E também dentro da gente, nos traumas, nos medos, no coração.
Tem vezes que é um sussurro, mas já é o bastante pra ecoar pelo quarto inteiro por horas.
"De que adianta eu estar bem comigo, se ninguém está disposto a estar bem junto comigo?"
"Será que um dia eu vou conseguir parar de criar tantas barreiras ao me relacionar?"
E a clássica: "Existe alguém no mundo pra mim, afinal?"
São perguntas que não pedem por respostas. Só pedem por questionamentos sem fim, noites em claro e algumas lágrimas de vez em quando.
Mas são só pensamentos; da mesma rapidez com que vem, também podem ir embora.
Eu escolho deixar eles irem.
Não é como se um príncipe encantado ouvisse as minhas vozes e viesse correndo ao meu resgate. Bem pelo contrário. Deixar esse tipo de pergunta me dominar só me traz pra baixo e afasta qualquer cara legal que pode um dia, quem sabe, talvez significar algo maior na minha vida. Se eu não gosto de estar comigo mesma assim, quem dirá outra pessoa.
Mas eu não sou esses pensamentos. Sou feita de algo infinitamente maior do que meras perguntas.
Eu me desapego dos pensamentos que me trazem pra baixo, pelo amor e pela vida que vibram dentro de mim. E mais do que isso, eu me comprometo a fazer com que eles vibrem cada vez mais, não importa quem esteja ao meu lado.
Se o amor da minha vida demora a chegar, eu escolho usar meu tempo para ser o meu melhor.
E eu escolho ser a mulher da minha vida.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Ele disse não, e agora?
Vocês estavam os dois namorando há dois anos, uns pombinhos lindos apaixonados. Até que ele disse "não quero mais", e pronto. Do topo do mundo, você passou a se sentir a última bolacha do pacote.
Vocês estavam os dois se conhecendo, explorando o jogo e a sinceridade entre um beijo e outro. Até que ele disse "não quero um relacionamento", e deu. Da esperança ressurgindo do túmulo, o que sobrou foi só as cinzas.
Daí você estava linda na balada do último final de semana, olhando pro carinha gato no bar. Ele olha também, mas acaba chegando na sua amiga. Da confiança do salto alto, você se esborracha no chão.
No namoro, no carinha ou na balada, a pergunta não quis calar:
"O que tem de errado comigo, afinal?!"
Com certeza os homens também devem se perguntar isso de vez em quando, mas eu particularmente acho o caso das mulheres mais complicado. Somos socialmente treinadas para rejeitar, não para sermos rejeitadas. É ele que deve puxar papo, pagar a conta, convidar pro motel. A nossa posição é passiva, de sim ou não, quem sabe. Tomar um não e passar pra próxima é uma lição que os homens aprendem todo final de semana. A lição feminina fica só na escolha entre virar a cara ou tascar o beijo.
Por outro lado, para o bem de todos e felicidade geral da nação, as mulheres finalmente estão tomando mais iniciativa pra ir atrás do que querem. Todo mundo sai ganhando; as posições tem a chance de se alternarem e se equilibrarem, sem pesar pra ninguém. Mas a mulherada em geral (e eu me incluo nessa) não pode esquecer que, pra aprender a correr atrás, também tem que aprender a ganhar o "não".
Claro, com uma rejeição seguida da outra, nada mais saudável do que se questionar a respeito de si mesma e de suas escolhas. Mas não levemos a rejeição por si só tão a sério.
Sim, vocês foram felizes namorando, mas acabaram seguindo caminhos diferentes. Não é culpa sua que acabou.
É verdade, tinha tudo pra dar certo, mas esse não é o momento do cara. Não tem nada que você possa fazer.
Claro, a sua produção tá um arraso, mas você não faz o tipo do cara. Acontece.
Refletir sobre a rejeição é uma atitude que só acrescenta, desde que sem vitimização. Se questione se você é interessante, se está aberta ao novo e se gosta de verdade da pessoa que você é. Mas um relacionamento, seja ele da natureza que for, é feito de duas pessoas. Os dois devem dizer o sim. Mas se ele disser não... fazer o quê? Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Mas nunca, nunca deixe de dizer sim a si mesma.
Vocês estavam os dois se conhecendo, explorando o jogo e a sinceridade entre um beijo e outro. Até que ele disse "não quero um relacionamento", e deu. Da esperança ressurgindo do túmulo, o que sobrou foi só as cinzas.
Daí você estava linda na balada do último final de semana, olhando pro carinha gato no bar. Ele olha também, mas acaba chegando na sua amiga. Da confiança do salto alto, você se esborracha no chão.
No namoro, no carinha ou na balada, a pergunta não quis calar:
"O que tem de errado comigo, afinal?!"
Com certeza os homens também devem se perguntar isso de vez em quando, mas eu particularmente acho o caso das mulheres mais complicado. Somos socialmente treinadas para rejeitar, não para sermos rejeitadas. É ele que deve puxar papo, pagar a conta, convidar pro motel. A nossa posição é passiva, de sim ou não, quem sabe. Tomar um não e passar pra próxima é uma lição que os homens aprendem todo final de semana. A lição feminina fica só na escolha entre virar a cara ou tascar o beijo.
Por outro lado, para o bem de todos e felicidade geral da nação, as mulheres finalmente estão tomando mais iniciativa pra ir atrás do que querem. Todo mundo sai ganhando; as posições tem a chance de se alternarem e se equilibrarem, sem pesar pra ninguém. Mas a mulherada em geral (e eu me incluo nessa) não pode esquecer que, pra aprender a correr atrás, também tem que aprender a ganhar o "não".
Claro, com uma rejeição seguida da outra, nada mais saudável do que se questionar a respeito de si mesma e de suas escolhas. Mas não levemos a rejeição por si só tão a sério.
Sim, vocês foram felizes namorando, mas acabaram seguindo caminhos diferentes. Não é culpa sua que acabou.
É verdade, tinha tudo pra dar certo, mas esse não é o momento do cara. Não tem nada que você possa fazer.
Claro, a sua produção tá um arraso, mas você não faz o tipo do cara. Acontece.
Refletir sobre a rejeição é uma atitude que só acrescenta, desde que sem vitimização. Se questione se você é interessante, se está aberta ao novo e se gosta de verdade da pessoa que você é. Mas um relacionamento, seja ele da natureza que for, é feito de duas pessoas. Os dois devem dizer o sim. Mas se ele disser não... fazer o quê? Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. Mas nunca, nunca deixe de dizer sim a si mesma.
sábado, 31 de maio de 2014
Mulher-Maravilha
Pode ser meio audacioso da minha parte, mas se eu pudesse mudar uma coisa no mundo, seria a injustiça.
Não consigo ver uma amiga querida chorando por causa de alguma sacanagem de um babaca qualquer. Minha vontade é pegar o endereço do cara e mandar uma bomba pra explodir na cara dele.
Me revolta por dentro ver alguém jogando qualquer papelzinho de bala na rua. Tenho que controlar a minha vontade de parar a pessoa ali mesmo e não deixar ela se mexer enquanto não pegar o papel do chão.
Pior ainda se vejo um assalto ou roubo no meio da rua. Na minha cabeça, tiraria meu disfarce da mochila e sairia correndo atrás do bandido feito Mulher-Maravilha.
Mas daí acordo pra realidade e me dou conta de que não tenho super-poderes pra mudar nada nem ninguém só porque eu quero. No fim do dia, ainda sou só mais uma nesse mundo onde nem sempre o bonzinho recebe o que merece.
Então fiquei pensando no quê meu lado super-herói faria por mim se me visse caminhando por aí.
Minha Mulher-Maravilha não aceitaria os meus medos. Mandaria todos eles a uma quarentena em outro planeta, junto com meus traumas e lágrimas, para serem libertados só quando se transformarem em amor.
Ela se revoltaria com a falta de apreço que tenho por mim mesma. Com uma máquina do tempo, ela me mostraria como minhas ações tocaram a vida das pessoas à minha volta, mesmo que eu não tenha percebido na hora.
Melhor que tudo isso, meu lado super-herói me faria entender que as maiores injustiças do mundo são as que fazemos com nós mesmos.
A injustiça só existe no mundo porque a cultivamos dentro de nós. Não precisamos de super-heróis; somos humanos. Somos maiores que nossos medos. Temos o poder de ser sempre melhores do que no dia anterior. Somos mais poderosos do que jamais imaginaríamos.
Estamos longe de mudar o mundo, mas sempre muito perto de mudar a nós mesmos.
Não consigo ver uma amiga querida chorando por causa de alguma sacanagem de um babaca qualquer. Minha vontade é pegar o endereço do cara e mandar uma bomba pra explodir na cara dele.
Me revolta por dentro ver alguém jogando qualquer papelzinho de bala na rua. Tenho que controlar a minha vontade de parar a pessoa ali mesmo e não deixar ela se mexer enquanto não pegar o papel do chão.
Pior ainda se vejo um assalto ou roubo no meio da rua. Na minha cabeça, tiraria meu disfarce da mochila e sairia correndo atrás do bandido feito Mulher-Maravilha.
Mas daí acordo pra realidade e me dou conta de que não tenho super-poderes pra mudar nada nem ninguém só porque eu quero. No fim do dia, ainda sou só mais uma nesse mundo onde nem sempre o bonzinho recebe o que merece.
Então fiquei pensando no quê meu lado super-herói faria por mim se me visse caminhando por aí.
Minha Mulher-Maravilha não aceitaria os meus medos. Mandaria todos eles a uma quarentena em outro planeta, junto com meus traumas e lágrimas, para serem libertados só quando se transformarem em amor.
Ela se revoltaria com a falta de apreço que tenho por mim mesma. Com uma máquina do tempo, ela me mostraria como minhas ações tocaram a vida das pessoas à minha volta, mesmo que eu não tenha percebido na hora.
Melhor que tudo isso, meu lado super-herói me faria entender que as maiores injustiças do mundo são as que fazemos com nós mesmos.
A injustiça só existe no mundo porque a cultivamos dentro de nós. Não precisamos de super-heróis; somos humanos. Somos maiores que nossos medos. Temos o poder de ser sempre melhores do que no dia anterior. Somos mais poderosos do que jamais imaginaríamos.
Estamos longe de mudar o mundo, mas sempre muito perto de mudar a nós mesmos.
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